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Quaresma
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Isaías profetizara: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e carregou-se com as nossas dores. A punição que nos traz a paz foi infligida a ele e suas chagas nos curaram”.

Maria, na sua disponibilidade, sabedoria e presteza, diz convictamente: “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Nada questionou, nada duvidou. A Virgem das Dores se dispôs a sofrer e a ver o Filho sofrer para realizar o plano divino de redenção da humanidade.

João Batista preparou os caminhos da salvação, colocou o “tapete” para seu senhor passar. Ele exortava: “Preparai os caminhos do Senhor. Endireitai as suas veredas”. Jesus Cristo mesmo diz: “Se alguém quer vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia e siga-me.” Ou então: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração. E encontrareis descanso para as vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”

E nós, que fizemos? Que fazemos? Quaresma! Jesus se dedicou inteiramente ao jejum e oração, por quarenta dias para fortalecer o seu espírito, preparando-se para o sofrimento a que se submeteu para resgatar o perdão do Altíssimo em favor dessa humanidade tão fraca, tão egoísta, tão pecadora.

A Quaresma nos chama à conversão. Isto significa que devemos esvaziar-nos das falsas riquezas e falsos valores, que podemos crescer de acordo com os verdadeiros valores cristãos. A conversão não é apenas desembaraçar-se dos pecados, dos vícios e de todas as formas de egoísmo, converter-se é ficar cheio de esperança e de amor por Deus, com senso de justiça, compaixão e generosidade.

Quaresma é tempo para fugirmos um pouco do corre-corre da vida, pararmos, refletirmos sobre a nossa maneira de ser conosco mesmos, com os outros e com Deus. Tempo de oração e sacrifício.

Quando nos mortificamos, em vez de nos tornarmos frágeis, aí é que nos fortalecemos, como Jesus o fez no deserto.

Converter é mudar de vida, despojar-nos do velho fermento e nos transformarmos em fermento novo, de modo a podar aquilo que é negativo em nós e que, portanto, é prejudicial para nós e para os irmãos.

Converter é querer constantemente melhorar o nosso modo de ser, de pensar e de agir, buscando uma convivência saudável com os nossos semelhantes e, principalmente, aprender a escutar a palavra de Deus
Como disse Jesus ao demônio, “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra de Deus.”

A sua santa palavra acalma, fortalece, edifica, esmaga, às vezes, porque somos comodistas e não tentamos modificar a mesmice do mundo, mas é a sua palavra que vai nos levar ao seu Reino.

O tempo favorável da Quaresma é uma boa oportunidade de nos lembrarmos de que Deus não nos criou em vão e que espera de nós a nossa resposta ao seu amor.

Chesterton, grande pensador católico, disse: “Não espero de ti o gesto de São Vicente, não espero de ti o gesto de São Francisco, mas espero de ti o teu gesto, aquele que Deus sonhou ao criar-te.”

Por isso com a esmola, o jejum, a penitência, a conversão e a busca de Deus encontraremos força para renascermos do pecado para a graça, revivendo a santidade de nosso Batismo. Boa Quaresma, com alegria e discrição na caminhada para a Páscoa!



 
 
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