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A atualidade das Bem-Aventuranças no seguimento de Cristo
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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As mercadorias que compramos apresentam um prazo de validade. Conforme a maneira como foram feitas e os ingredientes que foram usados, elas têm mais ou menos tempo de duração. Quem trabalha com plantação sabe quando uma goiabeira ou uma laranjeira está velha. Existem árvores centenárias, mas existem outras que morrem cedo.

Também nós, seres humanos, temos um tempo de vida na terra, uns mais, outros menos.

É que o mundo foi criado, teve um início e, portanto, é finito. Nada que seja material dura para sempre. Costumamos dizer que algumas coisas são antigas, ou ultrapassadas, outras são modernas, atuais, condizentes com os costumes de hoje. A moda varia com a idade da pessoa e com os hábitos da sociedade, que também variam muito. Vivemos num mundo mutável. Submetemo-nos ao tempo e a sua implacabilidade.

Mas Deus, não. Deus é eterno, não tem princípio, nem fim. É imutável. Em todos os tempos, Ele é. Assim também o Verbo, a Palavra de Deus. É sempre atual.

As bem-aventuranças, proclamadas por Jesus para uma multidão e encontradas em Mateus 5, 1-12, ou em Lucas 10, 20-23, apontam-nos verdades que são atuais em todos os tempos.

Elas são o anúncio da felicidade; "bem-aventurado" e "feliz" são adjetivos sinônimos, assim também "bem-aventurança" e "felicidade".

O chamado "Sermão da Montanha", revela o anseio por um mundo novo, revitalizado. As bem-aventuranças apresentadas por Jesus proclamam a libertação e não o conformismo ou a alienação que assola o mundo atual, carregado de ganância violência, egoísmo.

Elas anunciam a vinda do Reino através da Palavra e Ação de Jesus; tornam presente, entre nós, a justiça do próprio Deus.

Quem tem sede de justiça, na nossa sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime, é considerado inútil e incômodo. Mas este deve lutar e não desanimar. Seguindo a Cristo, ele será saciado.

E não se luta pela justiça por meio de violência, como, às vezes temos visto. Luta-se por justiça cultivando a misericórdia, a pureza do coração, a mansidão.

Tudo isto são verdades atuais, pois, a cada dia, encontramos, nos noticiários e no nosso próprio ambiente, violências desumanas, em nome da justiça e percebemos que não é este o caminho que satisfaz.

Jesus ainda alerta: "Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês." (Mt 5,12). Cristo, aqui, está atualizando a ação dos profetas e comparando-os com os homens e mulheres de hoje que querem segui-lo e O seguem.

Por aí, percebemos como é atual a palavra de Cristo, os seus ensinamentos e o seu incentivo para que O sigamos. Somos, muitas vezes, apegados ao que é temporal e passageiro e custamos a compreender que existem verdades que não se submetem ao tempo, porque são eternas.

"Jesus Cristo ontem, hoje e sempre" nos mostra os caminhos, pacientemente nos adverte. Cabe a cada um de nós procurarmos entender e seguir. Ele não nos dá ordens (se bem que pudesse perfeitamente dá-las), Ele nos aconselha, orienta, direciona.

Somos retrógrados e antiquados quando pensamos que riqueza, opressão, poder, violência, egoísmo - tudo isto vai nos trazer alguma alegria.

Seremos atuais, modernos, como a Palavra de Cristo, esforçando-nos para construir um mundo novo, com mansidão e humildade, que, por incrível que pareça, são as armas fortes com as quais poderemos conquistar a felicidade nossa e a de toda a humanidade.

Como seria bom e muito feliz um mundo pleno de paz, de igualdade, de justiça! Cabe a nós conquistar esse mundo, pondo em prática as bem-aventuranças mostradas por Cristo, que um dia falou: "Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão".



 
 
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