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O padre que reza o terço
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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O sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo nos configura como Ministros Ordenados, a termos os mesmos sentimentos e ações do Redentor que imolou a sua vida em resgate de muitos, ou seja, pela salvação da humanidade. O sacerdote se dedica ao anúncio da Palavra de Deus, aos Sacramentos, mas sem se descurar dos sacramentais e da valorização da piedade popular, dos costumes e das tradições das comunidades em que ele é colocado como o primeiro servidor, ou seja, em que “não veio para ser servido, mas para servir com alegria”.

Neste Ano Sacerdotal, devemos exaltar com louvores os sacerdotes que marcaram a nossa vida. Mercê de Deus, o grande sacerdote que moldou a minha vida foi o meu santo e culto pároco, Monsenhor Victor Arantes Vieira. Ele foi zeloso à frente da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, entre 1970 e 2008, deixando marcas indeléveis que ninguém, nem o tempo e nem a ingratidão, irão apagar o preciosíssimo legado espiritual que sempre nos conduziu a Cristo, o Bom Pastor.

Da severidade que inteira à sua santidade presbiteral, constata-se visível e sadia devoção à Virgem das Dores, cuja bela igreja matriz remodelou, reconstruiu, ornou de ouro o seu barroco altar e a apresentou para a veneração de seus fiéis. A cena mais comum de minha infância foi apreciar Monsenhor Victor com o rosário em punho, caminhando na calçada da nova Casa Paroquial, por ele inteiramente construída e ampliada, situada à Praça Coronel Neves, 88, Centro, rezando e meditando o Rosário da Virgem Maria.

Esse era o seu costume, também, ao se dirigir para a Matriz, ao esperar o penitente no confessionário, ao dirigir a antiga Kombi para a Missa Dominical no Sapezinho ou nos Pintos, ou no Barro Preto ou na Mata do Paiol. Uma intimidade profunda com a Virgem Maria que o conduzia a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Dele, pároco enérgico, porém bondoso, ganhei meu primeiro rosário, e com ele tomei gosto pela devoção mariana, sempre lembrando-me de suas sábias palavras, curtas como próprias do Mestre: “Nosso Senhor jamais, repito, deixará de atender uma súplica da Senhora das Dores”.

Ainda hoje, já emérito de ofício, mais cheio de virtudes de uma vida coerente, vejo e acompanho meu pai educador na fé, na mais cândida devoção do Rosário da Virgem Maria. Aprendamos, pois, com o Bom Pastor, que nunca deixou de venerar a Virgem Maria, a Ela recorrendo para receber de seu Amado Filho Jesus as graças necessárias para bem viver o cotidiano de nossa fé cristã.



 
 
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