Colunas
 
Assunção de Maria: Amor e gratidão de Deus!
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
Leia os outros artigos
 

Celebramos, nesta semana, a festa da Assunção de Nossa Senhora. Mas, o que é a Assunção de Nossa Senhora? Trata-se de um dogma em que a Igreja afirma que Maria Santíssima, preservada do pecado desde a eternidade, escolhida para ser a Mãe de Deus encarnado, é associada ou assunta ao céu em corpo e alma; não por força própria, mas elevada aos céus por uma ação divina.

No dia 1º de dezembro de 1950, o grande Papa Pio XII promulgou esta doce verdade de nossa fé, com a Constituição Apostólica “Munificentissimus Deus”, quando o Pastor Angélico nos diz: “Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu”.

No entanto, essa piedosa devoção e crença de que a Virgem Maria foi elevada ao céu em corpo e alma, “terminado o curso de sua vida terrena”, é uma das mais antigas do calendário litúrgico. A proclamação do dogma veio, apenas, confirmar esse tesouro contido no “Depositum fidei” da Igreja. Esclarece-nos, ainda, o Catecismo que “a Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos” (966). A importância da Assunção para nós, cristãos, radica-se na relação que existe entre a Ressurreição de Cristo e a nossa. A presença da Virgem Maria, mulher da nossa raça, ser humano como nós, quem se encontra em corpo e alma já glorificada no Céu, nos apresenta o ideário da vida cristã: a feliz antecipação da nossa própria ressurreição.

O Papa Bento XVI na solenidade da Assunção de 2008 disse com propriedade: “Como é grandioso o mistério de amor que hoje se repropõe à nossa contemplação! Cristo venceu a morte com a onipotência do seu amor. Só o amor é onipotente. Este amor impeliu Cristo a morrer por nós e assim a vencer a morte. Sim, unicamente o amor faz entrar no reino da vida! E Maria entrou após o Filho, associada à sua glória, depois que foi associada à sua paixão. Entrou com um ímpeto irrefreável, conservando depois de si mesma o caminho aberto para todos nós. É por isso que no dia de hoje a invocamos. ‘Porta do céu’, ‘Rainha dos anjos’ e ‘Refúgio dos pecadores’. Sem dúvida, não são os raciocínios que nos fazem compreender estas realidades tão sublimes, mas sim a fé simples, pura, e o silêncio da oração que nos põe em contacto com o Mistério que nos ultrapassa infinitamente. A oração ajuda-nos a falar com Deus e a sentir como o Senhor fala ao nosso coração”.

Bento XVI ressaltou que devemos pedir a Deus, por Maria Santíssima, que “nos conceda hoje o dom da sua fé, a fé que nos faça viver já nesta dimensão entre o finito e o infinito, a fé que transforma também o sentimento do tempo e do transcorrer da nossa existência, aquela fé na qual sentimos intimamente que a nossa vida não se encontra encerrada no passado, mas orientada para o futuro, para Deus, aonde Cristo e, depois dele, Maria nos precederam”.

Nesses últimos tempos, tenho feito a experiência de rezar o terço diariamente. Há dias que temos a alegria de rezar todo o rosário. Posso afiançar que a proteção intercessora da Virgem Maria nos ajuda a compreender melhor a nossa vida, as vicissitudes que vivemos, com as dificuldades inerentes ao cotidiano.

Com Maria, sempre caminhamos para Jesus. Atraídos pelo resplendor celestial da Mãe do Redentor, recorramos com confiança a quem desde o alto nos vê e nos protege. Todos nós precisamos de sua ajuda e seu consolo para enfrentar as provas e os desafios cotidiano. Por isso, ao celebrar a Virgem Maria, Nossa Senhora da Assunção, da Glória, da Saúde, da Vitória, da Boa Morte, precisamos experimentá-la como Mãe Santíssima de nossa existência.

Imitando a Santíssima Virgem, seremos discípulos-missionários de Jesus Cristo. Os bispos latino-americanos no número 271 do Documento de Aparecida nos ensina que: “Maria, que ‘conservava todas estas recordações e meditava em seu coração’ (Lc 2,19.51), ensina-nos o primado da escuta da Palavra na vida do discípulo e missionário. O Magnificat está tecido pelos fios da Sagrada Escritura. Em Maria, a Palavra de Deus se encontra em sua casa, de onde sai e entra com naturalidade. Ela fala e pensa com a Palavra de Deus; a Palavra de Deus se faz a sua palavra e sua palavra nasce da Palavra de Deus. Seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, seu querer é um querer junto com Deus. Estando intimamente penetrada pela Palavra de Deus, ela chega a ser mãe da Palavra encarnada”.

Santa Maria, rogai por nós!



 
 
xm732