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Agosto, mês vocacional
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Inauguramos o mês de agosto com a festa de Santo Afonso Maria de Ligório, patriarca fundador dos padres redentoristas. Atenta-nos um episódio especial em sua vida. Quando Afonso, Bispo e Doutor da Igreja, depois de ter fundado a sua ordem e ter sido festejado bispo diocesano, retorna à sua congregação, em meio às vicissitudes próprias dos homens que buscam o poder em detrimento ao serviço, sofreu na sua própria vida a perseguição. Esse momento, no entanto, ajudou-o a descortinar cada vez mais no estudo do Direito Canônico e da Moral, a buscando verdadeira da face de Deus que é a santidade.

Sim! A busca da santidade é a motivação de todos os batizados. Por isso mesmo, a santidade é a meta da vocação cristã. “Sede santos, como o vosso Pai do céu é santo” (Mt 5,48), já nos admoestava Jesus Cristo, essa santidade, própria da simplicidade de buscar o Cristo no irmão, na comunidade, na Palavra de Deus, na vida eclesial.

Nesse sentido, o mês de agosto é o mês em que refletimos sobre a nossa vocação primeira de batizados, que é a busca constante da construção e da vivência da santidade de estado e de vida. Uma santidade alegre, aberta à verdade que é Jesus Cristo e disposta a apagar todas as rusgas do passado. Como bem advertiu São Paulo em sua Carta aos Efésios (4,17.20-24), o cristão vive a alegria sempre renovada da presença permanente de Jesus em nosso meio, que nos ensina a abandonar o que é velho, o que é pecado, o que nos afasta de construir a vontade de Deus em nossa vida, para configurar nossa vida nos mesmos sentimentos de Cristo e da Igreja. Por isso, devemos olhar o irmão com o olhar da misericórdia e da compaixão.

É um momento privilegiado para abandonarmos a malévola tática de “carimbar” as pessoas pelo diz que me diz, pelo ouvir dizer. Devemos investir no outro, fazer a experiência do irmão, sempre lembrando que “ninguém é tão santo que não tenha um pecado para se confessar” e “que ninguém é tão pecador que tenha uma virtude a ser admirada e seguida”. Sim, compreender o irmão dentro de sua estrutura de vida, de sua história, procurando mergulhar nas suas perdas, nas suas angústias, nas suas carências, nas suas pobrezas espirituais para, acolhendo-o do jeito em que se encontra, convidá-lo a viver os mesmos propósitos que Cristo viveu.

Por isso, agosto é o mês de tantas bonitas vocações: do padre – que refletiremos desde o dia 2 de agosto até o dia 8; do pai – na comemoração do Dia dos Pais – no segundo domingo; pelas vocações cristãs na vida consagrada, de 9 de agosto até o dia 15; pelas vocações cristãs dos leigos e das leigas, de 16 a 22 de agosto; e por fim da vocação cristã dos casados, da família, do catequista, de 23 a 29 de agosto. Somos chamados a fazer um mutirão de orações em favor de todas as vocações, particularmente pela vocação ministerial ao sacerdócio católico, como distribuidor dos mistérios sagrados.

Com o Papa Bento XVI, por quem queremos rezar pela recuperação rápida de seu pulso fraturado, queremos rezar: “A Virgem Maria, Mãe da Igreja, ajude todos os sacerdotes a serem totalmente apaixonados por Cristo, seguindo o exemplo desses modelos de santidade sacerdotal”. Santidade que todos, padres e fiéis sacerdotes pelo batismo, somos convidados a viver, relembrando ainda o Papa Bento XVI, que conclama o povo a rezar pelas vocações e pelos vocacionados, para que a exemplo dos discípulos de Emaús possam cantar com alegria nos dias de agosto e pela vida afora: “Ficai conosco, Senhor, e nos acompanhai, apesar de muitas vezes não o termos reconhecido. Ficai conosco, porque ao nosso redor se está fazendo mais densas as sombras, e Vós sois a luz… Ficai conosco, Senhor, quando ao redor da nossa fé católica surgem as névoas da dúvida, do cansaço ou da dificuldade. Ficai em nossas famílias, iluminai-as em suas dúvidas, em suas dificuldades, consolai-as em seus sofrimentos e na fadiga de cada dia. Ficai, Senhor, com aqueles que em nossas sociedades são mais vulneráveis, ficai com os pobres e humildes, com os indígenas e afro-americanos, que nem sempre encontraram espaços e apoio para expressar a riqueza de sua cultura e a sabedoria de sua identidade. Ó Bom Pastor, ficai com nossos anciãos e com nossos enfermos! Fortalecei todos em sua fé para que sejam vossos discípulos e missionários!”



 
 
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