Colunas
 
Dias de fervor Eucarístico e de devoção popular
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
Leia os outros artigos
 

Nesta semana, temos a oportunidade de rezar com mais intensidade, particularmente pela solenidade de “Corpus Christi”, nesta quinta-feira. Neste dia, os fiéis são convidados a concorrerem em suas paróquias para fazerem uma manifestação pública a Jesus Eucarístico que, em ricos ostensórios, será conduzido em procissão, numa profissão de fé no Mistério do Amor. Em segundo plano, no próximo sábado celebraremos a festa de Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua, tão querido e venerado em todo o Brasil. Por isso, estes dias não serão somente de um feriado prolongado, mas oportunidade de acorrermos às nossas Igrejas e sentirmos a presença santificadora de Deus pela ação da Santa Igreja.

Como surgiu a festa de “Corpus Christi”?

Através da Eucaristia, Jesus nos mostra que está presente ao nosso lado e se faz alimento para nos dar força para continuar. Ele nos comunica seu amor e se entrega por nós. A celebração de “Corpus Christi” teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando-lhe o desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Em 1264, o papa Urbano IV, através da Bula “Trasnsiturus de hoc mundo”, estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a Santo Tomás de Aquino que preparasse os textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração. O Doutor Angélico compôs a Seqüência “Lauda Sion Salvatorem” (Louva, ó Sião, o Salvador), cantado nas liturgias do dia pelos mais de 400 mil sacerdotes nos cinco continentes. A procissão com a hóstia consagrada conduzida em um ostensório é datada de 1274. Foi na época barroca, contudo, que ela se tornou um grande cortejo de ação de graças.

A celebração de “Corpus Christi” consta de uma missa solene, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento. A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento, esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio corpo de Cristo. Durante a missa, o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra apresentada aos fiéis para adoração na procissão e na adoração ao Santíssimo Sacramento. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja.

A Eucaristia é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Jesus por nós. Mesmo separando seu Corpo e seu Sangue, o Divino Mestre se conserva por inteiro em cada uma das espécies sagradas. É pela Eucaristia, especialmente pelo Pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos parte na vida divina, unindo-nos a Jesus e, por Ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo.

Essa antecipação da vida divina aqui na terra mostra-nos claramente o prêmio que receberemos no Céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade. O centro da Missa será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da Redenção.

Na memória litúrgica de Santo Antônio de Pádua, devemos ressaltar que ele é um dos santos mais conhecidos e amados do povo. Tendo nascido em Lisboa, quis a Divina Providência que exercesse sua missão na Itália. Destacou-se como pregador, professor de teologia e grande taumaturgo. Com efeito, a tradição atribui-lhe inumeráveis milagres operados já durante sua vida neste mundo. Sua pregação, piedosa e profunda, mostrava grande conhecimento da Sagrada Escritura e da mensagem de Jesus, vindo a ser cognominado “Arca do Testamento”, “Coluna da Igreja”. Temas de interesse social como justiça, amor ao pobre e distribuição das riquezas estavam sempre presentes em seus ensinamentos, o que faz dele um santo muito atual.

Estes dias devem ser de grande manifestação de fé e de esperança, bem como de oração pelos sacerdotes. A oração ajuda a superar a solidão, a incompreensão e o sofrimento e, quando o serviço for difícil, ou a cruz dura de suportar, que nos sustenha e nos sirva de conforto a certeza de que Deus sabe fazer frutificar todas as coisas.



 
 
xm732