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A fé
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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A Constituição Conciliar Dei Verbum, do Concílio Ecumênico Vaticano II, diz: “A Deus revelador é devida a obediência da fé (Rm 16,26; cf. Rm 1,5; 2Cor 10,5-6); por ela, o homem todo entrega-se livremente a Deus revelador oferecendo-lhe o obséquio pleno da inteligência e da vontade e prestando voluntariamente assentimento à sua revelação. Para prestar essa fé, é necessário o prévio auxílio da graça divina e o auxílio interior do Espírito Santo, que mova e converta a Deus os corações, abra os olhos da alma, e dê a todos a suavidade no assentimento e na adesão à verdade. Para que a inteligência da revelação seja sempre mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé mediante os seus dons”.

Neste tempo da Quaresma, devemos nos perguntar a quantas anda a nossa fé no Ressuscitado? A fé é uma adesão livre a Jesus Cristo e ao seu projeto de salvação, a vida eterna. Para chegarmos a contemplar Deus tal como Ele é, nós devemos trilhar um caminho de conversão, de penitência, de abandono do pecado e da busca da virtude, construindo a santidade de vida e de estado.

Por isso, ter fé é ir ao encontro de Jesus. É dar uma resposta ao seu chamado: “Vinde e Vede!” A partir desse suave encontro, nós devemos espelhar Maria, que, ao encontrar-se com Jesus, colocou-se como aquela que se voltou para Ele, para escutá-Lo, para aprender D’Ele o caminho a ser seguido. Assim, ouvindo a voz de Deus, caminhando com seu Filho Jesus e pedindo os dons santificadores do Espírito Santo, nós iremos refazer o caminho da nossa fé. Como eu vivo a minha fé? Como eu me relaciono com a minha comunidade de fé, a Igreja, que é Mãe e Mestra, nesse mundo tão complexo?

Nesse sentido somos chamados a renovar a nossa fé em Deus, tornando-nos, à luz da convocação profética de Aparecida, discípulos-missionários de Jesus Cristo. Renovados, iremos contemplar um Deus vivo, do qual somos chamados a fazer uma experiência de fé e de vida, de adesão e de discipulado.

Nesse tempo favorável de conversão e de mudança de vida, fala-se muito em reconciliação. Mas adianta pedir perdão se não temos fé ou se não vivemos a fé de Cristo e da Igreja? A fé é um ato de vontade livre pelo qual você, de maneira totalmente libertadora, faz uma opção de seguir o Senhor.

Devemos rezar muito nestes dias para que Deus que aumente a nossa fé, a nossa esperança e a nossa caridade.

Urge, hoje, mais do que ontem, uma tomada de consciência mais ampla de que a época da cristandade já passou, de que a Igreja não pode se limitar a uma pastoral de manutenção do que já tem e de que, numa sociedade pluralista e secularizada, ela deve ter uma postura mais ativa na proclamação de sua mensagem. Assim, somos convidados a realçar a grande fé de nosso povo simples, valorizando as manifestações de piedade do povo, e promovendo uma grande formação permanente para que os católicos tenham uma fé viva, atuante, marcada pela leitura orante da Palavra de Deus e pelo conhecimento de nossa doutrina, para, assim, respondermos a tantos apelos negativos de um mundo secularizado. Que Maria, estrela da Nova Evangelização, nos ajude nesse bom propósito.



 
 
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