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A lei do amor e o templo vivo de Deus que somos todos nós
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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A Quaresma, iluminada a partir do seu terceiro domingo litúrgico, nos convida a fazer uma faxina espiritual, em que somos chamados a espanar as paixões desordenadas, o erro, o vício, a maldade, a inveja, a calúnia e acolher a Lei de Deus. Não uma lei que se restringe ao cumprimento exterior dos Mandamentos do Decálogo. Mas uma lei encarnada, que seja misericordiosa, vivida na aceitação do diferente, na busca de curar os corações feridos, em que Deus não somente nos liberta da escravidão material, mas nos convoca a trilhar um caminho novo, liberto de todo o rigorismo e formalismo ritual, com os olhos fixos no aperfeiçoamento da Lei que Jesus veio trazer a este vale de lágrimas (Ex 20,1-17).

Nesse nosso itinerário espiritual, de penitência, conversão e mudança de vida, com a oração reiterada e o jejum, somos chamados a olhar o episódio do texto de Jo 2,13-25, quando Jesus expulsa do templo os vendilhões, aqueles que faziam negócio com o sagrado. Mais do que o templo de Pedra, a pergunta que deve soar aos nossos ouvidos nestes dias é a seguinte: será como Jesus encontrará o nosso corpo, que é templo vivo do seu Espírito, quando ele voltar? Será que construímos um edifício espiritual calcado na areia? Ou será que construímos um edifício espiritual sedimentado e fundamentado na rocha firme que é o Cristo que ilumina as nossas vidas e clareia nossos corações?

Pela conversão e pela mudança de vida, queremos construir não somente o templo de pedra, de barro, mas o templo vivo de Deus, que é a Igreja, casa de salvação. Isso somente será possível se modificarmos a nossa atitude diante da Lei de Deus, acolhendo a todos os pecadores, os diferentes e os lascados da sociedade e se, ao mesmo tempo, passarmos a respeitar a casa de Deus, não só neste tempo favorável de conversão, mas em todos os dias de nossa vida.

A Quaresma nos ensina três virtudes fundamentais: 1. A virtude do equilíbrio, a que eu mais admiro; 2. A virtude da coerência, que é a mais difícil e 3. A virtude da prudência, que é a mestra de todas as virtudes.

O pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamesa, OP, adverte: “A Quaresma é o tempo ideal para aplicar-se neste rejuvenescimento. Um prefácio deste tempo diz: ‘Tu estabeleceste para teus filhos um tempo de renovação espiritual, para que se convertam a ti com todo coração e, livres dos fermentos do pecado, vivam as vicissitudes deste mundo, orientados sempre para os bens eternos’. Uma oração que remonta ao Sacramentário Gelasiano do século VII e que ainda se usa na Vigília Pascal proclama solenemente: ‘Que todo o mundo veja e reconheça que o que está destruído se reconstrói, e tudo volta a sua integridade, por meio de Cristo, que é o princípio de todas as coisas’”.

Por isso mesmo, tenhamos um gesto concreto de nosso jejum, da nossa abstinência de carne ou de uma obra piedosa em que nos envolvemos neste tempo santo, nos comprometendo com a campanha da solidariedade, em vistas da Campanha da Fraternidade, a ser realizada no Domingo de Ramos, este ano a cinco de abril, para que a Igreja possa promover, numa sociedade secularizada e hedonista, o respeito à pessoa humana. Só assim o mandamento novo do amor se realiza na construção de templos vivos de Deus nos nossos irmãos que buscam a Justiça que constrói a Paz!



 
 
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