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Viver uma Espiritualidade Pascal
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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“Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos falava e explicava as Escrituras” (Lc 24,32)

Em meio aos ciprestes e às figueiras, com o perfume das primeiras flores da primavera, o Sol se despede de mais um dia. Sobra uma amena e suave brisa. Dois homens apressam o passo rumo a Emaús, um povoado que dista cerca de onze quilômetros de Jerusalém. Estão profundamente tristes.

Os seus sentimentos e suas vicissitudes fazem-nos pensar em nossa caminhada, ao depararmos com as várias realidades de morte, que enfrentamos nessa época de nossa história.

Como os dois discípulos que estavam tristes e diziam: “Nós esperávamos fosse que ele quem iria redimir Israel: mas...” Humanamente falando, muitas vezes, nos sentimos cansados, tristes, com a situação do mundo de hoje. No entanto, somos chamados a esperar contra toda a esperança, não podemos ter a desilusão de quem espera apoiado em esperanças sem retorno.

Jesus, que os discípulos julgam ser um peregrino, explica-lhes as Sagradas Escrituras, iniciando por Moisés e prosseguindo com os profetas, para lhes fazer entender uma verdade enigmática: “Não era preciso que Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?”

Cristo, o Cruscificado-Ressuscitado, por meio de sua manifestação aos discípulos de Emaús, revela-nos claramente que o mistério da morte e da vida, a Cruz e Ressurreição são a chave para compreendermos as Sagradas Escrituras e por meio destas, a nossa existência. A nossa esperança não terá consistência alguma se não for baseada na Palavra de Deus, no mistério da Cruz e da Páscoa gloriosa de Cristo gloriosa de Cristo.

Cristo se faz presente nas nossas vidas quando lemos as Sagrada Escrituras. A sua companhia aos discípulos, o caminho percorrido com eles indica a inefável certeza de sua presença em meio a nós ao longo de nossa história, como luz que ilumina e fogo que aquece os corações.

No momento da fração do pão,um gesto que certamente despertou a consciência dos dois discípulos, eles abriram os olhos e reconheceram a Jesus. Somente com os olhos da fé nós podemos reconhecer Jesus.

Ele ofereceu aos dois discípulos o pão eucarístico e com isso entrou em seus corações. Jesus não estava apenas diante deles, em meio a eles, mas estava neles, uma presença amorosa, capaz de mudar suas vidas.

Na estrada de Emaús os dois discípulos nos indicam o caminho a seguir, com a Eucaristia, a Palavra de Deus, o Mistério da Cruz, podemos avançar com humildade e alegria em nossa caminhada, sempre sustentados pela presença do Salvador, que nos convida a inverter a direção.

A força da presença de Jesus na caminhada dos dois discípulos fez que eles voltassem para Jerusalém. Voltaram pelo mesmo caminho, com o coração cheio de alegria, a fim de testemunhar e anunciar o que haviam experimentado, a presença de Jesus no meio deles, a força arrebatadora de sua Palavra, que iluminou toda a Sagrada Escritura, a amizade com o Ressuscitado que os fizera dizer: “Permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina”. E em seguida aquele alimento oferecido por Jesus, no qual mais uma vez, porém agora ressuscitado, ele se doou aos discípulos como pão de ressurreição e vida.



 
 
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