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Irmã Dulce dos pobres
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Católicos e todos os brasileiros de boa vontade, todos os brasileiros estão de acordo sobre a vida heróica da grande e generosa religiosa brasileira Irmã Dulce. O anjo bom da Bahia dedicou a sua vida aos pobres e excluídos, oferecendo-lhes todas as suas forças e amor. A admiração e o entusiasmo por ele romperam os limites geográficos da Bahia, espalhando-se pelo território brasileiro e pelo mundo até chegar a Roma.

Assim, a Congregação Vaticana das Causas dos Santos, reconhecendo sua coragem e virtuosidade, deu parecer favorável para que fosse declarada venerável: “A sua vida foi uma confissão do primado de Deus e da grandeza do homem filho de Deus, até mesmo onde a imagem divina parece obscurecida, degradada e humilhada” (Congregação das Causas dos Santos).

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes era o nome completo de Irmã Dulce. Ela nasceu em Salvador (BA), aos 26 de maio de 1914. Por volta dos 13 anos, Maria Rita já visitava áreas carentes, acompanhada por tia Madalena, irmã de sua mãe Dulce, que havia falecido. Iam aos casebres da Baixa dos Sapateiros, conhecendo de perto a pobreza, o drama dos pais de família sem emprego e as crianças abandonadas. Aos 15 anos, confidenciou à tia que desejava entrar para a Ordem Terceira de São Francisco, suja espiritualidade era voltada aos pobres. Os mais humildes a procuravam cada vez mais e em maior número, em sua casa. No dia 8 de fevereiro de 1933, trocou a Ordem Terceira de São Francisco pelo postulando no Convento do Carmo (São Cristóvão, SE). Em 15 de agosto de 1934, fez seus votos perpétuos e trocou seu nome para Dulce, em homenagem à sua dedicada, virtuosa e falecida mãe que lhe transmitiu tantos exemplos de virtude apostólica.

Irmã Dulce depositava grande confiança na Divina Providência. Colocava nas mãos do Pai do Céu todas as suas preocupações por intermédio de Santo Antônio de Lisboa, por quem tinha enorme devoção.

Pela oração, obtinha de Deus as graças necessárias para fazer o bem, sem reservas, aos irmãos sofredores. Impregnada de tal espírito de fé, buscou ajuda para montar um ambulatório: um barraco feito de latão sem nenhum conforto. Porém, pensava grande. Irmã Dulce não tinha vergonha de pedir apoio a todos: negociantes, dirigentes, políticos, empresários que pudessem ajudá-la. Admirada e seguida desde o Presidente da República até o mais humilde dos que precisavam de seu patrocínio.

Com o aumento das pessoas que a procuravam e não podendo mais atender a todos no pequeno ambulatório, Irmã Dulce retornou ao convento e, enquanto caminhava pelo pátio, passou por um terreno repleto de galinhas e teve uma idéia. Após conversar com a sua legítima Superiora, ocupou o espaço e começou a atender ali cerca de setenta pacientes.

Foi esse o começo humilde do hoje magnífico Hospital Santo Antônio, um hospital de grande porte, com mais de mil leitos, centro de um complexo médico, social e educacional para os pobres, apreciado e reconhecido até internacionalmente.

O trabalho de Irmã Dulce foi pouco a pouco reconhecido em todo o país. Morreu pouco antes de completar 78 anos, em 13 de março de 1992, após ter ficado dezesseis meses presa ao leito por doença pulmonar, assistida de perto pela solicitude pastoral de seu grande amigo, benfeitor e instituidor de sua causa de beatificação, o Eminentíssimo Senhor Cardeal LUCAS MOREIRA NEVES, OP, luminar do Episcopado Internacional falecido com fama de santidade.

Irmã Dulce viveu intensamente as bem-aventuranças. A ela bem se aplicam as promessas de Jesus dirigidas aos que têm coragem de segui-lo de verdade: “Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem vosso nome como infame por causa do Filho do Homem! Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu”(Lucas 6, 22-23).

Beata Dulce dos Pobres rogai por nós que recorremos a vós!



 
 
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