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Damasceno: um Cardeal ungido!
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Há sete anos, precisamente, em 28 de janeiro de 2004, era anunciada três nomeações episcopais sucedendo a três Cardeais: Freire Falcão, Fernandes de Araújo e Lorscheider para as sedes metropolitanas de Brasília, Belo Horizonte e Aparecida.

Dom Damasceno, recém saído de um mandato como Secretário Geral do CELAM (1991-1994) e dois mandatos como Secretário Geral da CNBB (1995-2003) era o candidato natural do Cardeal José Freire Falcão para sucedê-lo em Brasília. Damasceno foi o primeiro seminarista enviado por Dom Oscar de Oliveira, grande Arcebispo de Mariana, para ser o primeiro seminarista de Brasília, instituído Distrito Federal. Querido de Dom José Newton Baptista, fundador da Igreja de Brasília, foi tudo na Capital Federal, desde secretário pessoal do primeiro Arcebispo, Chanceler do Arcebispado, Reitor do Seminário, Professor na UNB e Vigário Geral. Eleito Bispo em 1986, foi sagrado em 15 de setembro de 1986 pela imposição das mãos do Cardeal José Freire Falcão para o ofício de Bispo Auxiliar de Brasília. Logo Dom Damasceno foi feito Moderador da Cúria Arquidiocesana e Vigário Geral. Conhece Brasília como a palma de sua mão e é uma unanimidade na cidade. Natural seria que Dom Damasceno fosse o Arcebispo de Brasília, mas a Providência Divina tinha outros caminhos.

O Cardeal Serafim Fernandes de Araújo não escondia de ninguém que queria Dom Damasceno como seu sucessor. Dom Damasceno é mineiro de Capela Nova das Dores, no âmbito da circunscrição eclesiástica primaz de Mariana. Nascido em 15 de fevereiro de 1937, no lar abençoado de Francisco Solano de Assis e de Dona Carmem Damasceno Assis foi aspirante marista e, optando pelo Ministério presbiteral, em 1955 transpôs os umbrais do Seminário de Mariana para cursar a vida religiosa. Dom Damasceno, mineiro da gema, sorriso largo e amizade sincera era a pessoa certa no lugar certo, mas a Providência Divina reservava outras tarefas para o discreto mineiro.

Lembro-me bem, do aniversário de Dona Carmem, mãe de Dom Damasceno, em dezembro de 2003, quando ela dizia categoricamente: “Raymundo será Arcebispo de Nossa Senhora Aparecida. Nem em Brasília, aonde trabalhou muito, nem em Belo Horizonte, perto dos parentes e conterrâneos, mas junto de Nossa Senhora Aparecida que irá guiar o seu ministério para levar os louvores da Virgem Maria que nos conduz ao Redentor”.

Realmente os homens pensam nos critérios humanos que um Arcebispo da capital do país ou do maior estado católico do Brasil naturalmente serão feitos Cardeais. Os homens dispõem, mas Deus dispõe de outra maneira. O Papa Bento XVI, antigo amigo de Dom Damasceno, desde os tempos da CAL e do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, do CELAM e da CNBB recebeu a sua visita e do Padre Darci José Nicioli, Reitor do Santuário Nacional, quando da entrega da réplica da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, o Papa lhe dizia que iria visitar o Santuário de Aparecida ao convite do Arcebispo. E realmente, a 11 de maio de 2007 o Santo Padre chegava à noite em Aparecida, na capital mariana do Brasil, visitar a Fazenda da Esperança, rezar o Rosário com os religiosos no Santuário Nacional e, na Tribuna Papa Bento XVI, no dia 13 de maio de 2007, rezar a missa de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e Caribenho. No final do mesmo dia o Papa abria a V Conferência Geral do Episcopado.

Terminada a visita pontifícia, desenvolvendo a V Conferência Geral, o Episcopado Latino Americano e Caribenho na 31ª Assembléia Ordinária do CELAM, sediada na cidade cubana de Havana, realizada em julho de 2007, Dom Damasceno foi eleito presidente daquele organismo para o quadriênio 2007-2011. Anteriormente Dom Damasceno foi ainda membro da Comissão Episcopal do Departamento de Catequese do CELAM de 1987 a 1991;  Secretário-Geral da Quarta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1992, nomeado pelo Papa João Paulo II e ainda membro do Comitê Econômico do CELAM, em Bogotá, de 1995 a 1999 e membro da Comissão Episcopal de Comunicação do CELAM, de 2003 a 2006. Suplente do Delegado da CNBB junto ao CELAM de 2003-2006 e delegado da CNBB na Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, em maio de 2007.

Por eleição do episcopado brasileiro Dom Damasceno foi membro da sua Comissão Episcopal de Pastoral para a Comunicação, Educação e Cultura; Presidente do Conselho Fiscal, de 2003 a 2006; Presidente da Comissão Episcopal da CNBB da Campanha para a Evangelização, de 2003 a 2006.

Dom Raymundo foi Padre Sinodal na 1ª Assembléia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, que aconteceu em Roma no mês de abril de 1994; Padre Sinodal nomeado por João Paulo II, na IX Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em Roma, abril de 1994. Padre Sinodal Eleito pela Assembléia da CNBB e confirmado por João Paulo II na Assembléia Especial para a América do Sínodo dos Bispos, em Roma no ano de 1997. Participou da Conferência de Aparecida em 2007, como membro delegado pela CNBB. Dom Raymundo foi nomeado pelo Papa Bento XVI como padre sinodal da 2ª Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, que aconteceu em Roma no mês de outubro de 2009. Participou, como padre sinodal nomeado pelo Papa Bento XVI da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que acontece em Roma no mês de outubro de 2010.

A Providência Divina e a Proteção da Virgem Maria, com o olhar atento e santo de Dona Carmem – já na comunhão dos santos, não nos surpreendeu quando em 20 de outubro de 2010 foi anunciado 24 novos cardeais. Roma amanheceu feliz em 20 de novembro de 2010 quando o único representante da América Latina, o Cardeal mineiro-paulista foi criado Cardeal da Santa Igreja Romana pelo Papa Bento XVI. Novamente as capitais ficaram de lado e valeu o carisma, a simplicidade, o homem despretensioso, atento, cordato, amigo de todos, sem colorido político-partidário, que recebeu o Papa em Aparecida em 2007. O título cardinalício de Dom Damasceno é o presbiteral da Imaculada Conceição em Tiburtina, do qual tomou posse em 03 de março de 2011. Uma das maiores obras do Cardeal foi a reforma e reconstrução do Seminário Bom Jesus. Esta empreitada que, pessoalmente, tive a graça de ser um dos protagonistas, quando revitalizamos o Seminário Bom Jesus de Aparecida para receber o Papa e, agora, receber o Episcopado Brasileiro demonstrou o carisma e a liderança inconteste de um “modesto bispo de Aparecida” como o Cardeal se autodefine para os seus romeiros.

Privilegiado interlocutor do Papa Bento XVI foi nomeado Legado Pontifício para em 01 de janeiro de 2011 assistir, como representante pessoal e chefe da delegação da Santa Sé, a posse de Dilma Vana Rousseff no ofício de Presidente da República Federativa do Brasil.

Hoje, dia 09 de maio de 2011, será assinalado como Deus deu ao Cardeal Damasceno o dom de aglutinar, de compor, próprio do espírito mineiro, de construir pontes, de conviver com os diferentes, de não se preocupar com os critérios humanos e com as políticas diplomáticas, deixando sempre ser conduzido pela ação da Santíssima Trindade. Candidato único foi ungido e reconhecido como Presidente da CNBB para o período 2011/2014, em que tenho certeza será uma das presidências mais profícuas da ação animativa da pastoral no Brasil.

A eleição da noite de hoje é um tributo do Episcopado Brasileiro a figura maiúscula do nosso conterrâneo o grande imortal LUCAS, CARDEAL MOREIRA NEVES, OP, que em vida foi o grande incentivador do espírito arrojado e da santidade pastoral do novo líder inconteste do Episcopado brasileiro.

Presidente Damasceno Assis: o episcopado está unido ao senhor. Nós presbíteros ouvimos a sua voz abalizada e segura junto do Trono da Virgem Aparecida, a sempre abençoar o nosso ministério. E o povo brasileiro reconhece em Vossa Eminência, não só a voz, as mãos e o rosto de nosso episcopado, mas o homem de Deus que respira no seu agir a ação de Deus no povo brasileiro que o ama e rezará, junto da Imaculada Conceição da Virgem Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, para que Vossa Eminência continue sendo este maravilhoso instrumento ungido de Deus.



 
 
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