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O Messias padecente
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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No caso da entrada de Jesus em Jerusalém, o povo festejava, na expectativa de ter finalmente o prometido descendente de Davi, que ia reconduzir Israel a uma situação de vitória até maior do que as glórias idealizadas do passado. Hosana ao filho de Davi!” – clamavam. E a lembrança das promessas feitas à dinastia de Davi alimentava uma certa imagem do Messias. O problema é que essa imagem de Messias poderoso, invencível, não ia combinar bem com o que aguardava Jesus pouco tempo depois.

Ele era o esperado e o anunciado nas profecias, mas havia várias descrições diferentes do Messias. O profeta Daniel, por exemplo, fala do Filho do Homem descendo das nuvens, cheio de poder e majestade. Outras profecias indicam que o Messias trará a solução de todos os conflitos, com lobo e cordeiro pastando juntos, com as armas de guerra transformadas em instrumentos de lavoura para trazer fartura em vez de morte.

Jesus, porém, vai se comportar de acordo com um outro tipo de profecia: Ele encarna o Servo sofredor, vai percorrer um caminho de redenção que passa pela coragem de assumir o sofrimento, solidário com nossas dores. É compreensível que essa figura de Messias alcançasse menos “IBOPE”.

Ainda hoje, muitas vezes, preferimos simplesmente cantar louvores ao rei Jesus, exaltar o seu poder, em vez de lembrar que, para executar o projeto de salvação, Ele se despojou de todo tipo de poder até se tornar completamente indefeso na cruz.

 Seguindo a trilha de Jesus, o nosso testemunho precisa ser a capacidade de doação, de entrega da vida pela justiça, de compaixão com os que sofrem. Além de proclamar que, através da graça, Deus mostrou que está conosco, temos que mostrar, através do serviço humilde e dedicado, que nós queremos estar com Deus.



 
 
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