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Nossa Senhora de Lourdes e o sofrimento humano
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Nesta quarta-feira, celebramos a memória de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira de todos os enfermos. É um dia especial, em que à luz do Evangelho do 5º Domingo do Tempo Comum, somos chamados a entrar na contemplação do mistério do sofrimento humano.

A pergunta mais recorrente que o sacerdote houve de muitos fiéis é acerca do sofrimento humano. “Por que Deus permite que eu experimente o sofrimento, a doença ou a perseguição?” “Será que Deus é meu inimigo por permitir tantos sofrimentos ou mesmo tantos dissabores”.

A resposta está na visita de Jesus à sogra de Pedro. Ele impôs as mãos sobre ela, curou-a e deu a mão para que ela se levantasse. O sofrimento humano tem um termo final na esperança cristã. É Jesus que cura. É Jesus que liberta. É Jesus que nos restabelece de todos os males físicos e espirituais.

O arcebispo de Diamantina, Dom João Bosco, não se cansa de dizer que “Deus não dá um sofrimento que a pessoa não pode suportar”. Eu diria mais: o sofrimento encarado com os olhos e a perspectiva da fé pode ser superado, basta para isso dar o toque da alegria cristã diante dos percalços que este vale de lágrimas, chamado planeta terra, nos apresenta.

O Papa Bento XVI asseverou no último domingo, em sua alocução semanal do Angelus, que “a verdadeira enfermidade é a ausência de Deus”. Segundo o Pontífice Máximo, a doença é apresentada como parte da experiência humana, mas ela o homem não consegue habituar-se, porque está ligado à sua original vocação à vida. Dentro das angústias do tempo presente, a dor e a doença, humanamente assim se apresenta Bento XVI, nos ensinam que tudo isso desaparece diante do poder do amor de Deus.

É esse amor gratuito, generoso, sem esperar recompensas, que nos anima a vencer a dor, o sofrimento, os males físicos, os males morais e tantas incompreensões e dificuldades que são colocadas diante do amor supremo que Deus nos demonstrou. Quando Jesus assumiu a natureza humana, aniquilou o pecado e estabeleceu o Tribunal supremo da caridade, do perdão e da misericórdia.

E neste contexto, Maria, a Virgem de Lourdes, nos ajuda a lavar os nossos pecados pela ação e pelo poder de seu Filho Jesus. Maria nos aponta para o Cristo. Neste itinerário que ela nos propõe, em consonância com a convocação da Conferência Geral de Aparecida, a vida dos cristãos deve tomar um rumo totalmente novo: abandonando o individualismo, a vaidade, a insensibilidade e a auto-suficiência. Olhando o amor generoso de Deus, pela sua encarnação, vida, paixão, morte e ressurreição, somos chamados a refletir sobre a pergunta fundamental: o que eu devo fazer da minha vida? Uma vida individual, egoísta ou uma vida voltada para a comunhão e libertação que vem de Cristo Senhor?

Num mundo insensível, a sensibilidade cristã é a esperança de viver por Cristo, com Cristo e em Cristo. Esse é o caminho novo, da felicidade que se renova em cada Eucaristia, sacramento máximo da partilha de dons, de bens, da Palavra de Deus e da escuta de um novo itinerário que passe pela adesão integral à vontade de Cristo: “Para mim: viver é Cristo” (I Ef 21,27). O Cristo que nos cura e nos afaga nos chama à perfeita e a alegre adesão à vontade, a sanidade mental e física da busca da santidade.

Que Maria de Lourdes nos ajude a ver no sofrimento a possibilidade de uma união mais íntima com Jesus, aceitando as adversidades como via ordinária de salvação.

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!



 
 
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