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A vocação cristã.
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Os cristãos são todos os homens e mulheres que pelo batismo aderem a Jesus Cristo. E para ser de Cristo nós devemos ser seus discípulos e missionários no mundo. Devemos testemunhar o “Deus vivo”(Cf. Dt 5,2¨) que liberta o seu povo eleito dos opressores e da opressão(Cf. Ex 3,7-10), que perdoa todos os pecados, indistintamente(Cf. Ex. 34,6; Eclo 2,11), e que restitui a salvação perdida quando o povo, envolvido na cultura cotidiana da morte(Cf. Sl 116,3), a Ele se dirige(Cf. Is 38,16). É deste Deus que seu divino Filho, Jesus que nos foi enviado, para que todos nós tenhamos vida e vida plena.

Escutar o chamado de Jesus de Nazaré e dar um sim autêntico ao seu Evangelho, é aceitar o doce convite de Jesus para que a Ele nos estreitemos vinculando nossa vida a sua vida. Na escola de Jesus, convivendo com Ele, iremos descobrir dois aspectos fundamentais na vida cristã: Primeiro, que foi Cristo que nos escolheu. Em segundo lugar, Jesus nos escolheu para que estivéssemos com Ele e para nos enviar a pregar o seu Evangelho a todos os povos, gentes e nações, para que o mundo creia que Ele é o Senhor, Redentor e está no meio de nós(Cf. Mc 3,14).

Jesus não nos quer como servos porque “o servo não conhece o que o seu senhor faz”(Cf. Jo 15,15).  O servo não tem a entrada franca e desimpedida na casa de seu amo, muito menos em sua vida. Jesus quer que cada um de nós, que somos batizados, sejamos seus amigos. Porque sermos amigos de Jesus? Porque o amigo ingressa na vida de Jesus, fazendo-a própria. O amigo escuta a Jesus, conhece ao Pai e faz fluir sua Vida(Jesus Cristo) na sua própria existência(Cf. Jo 15,14)marcando todos os nossos relacionamentos, marcando todas as nossas atitudes e marcando, sobretudo, o nosso agir no mundo atual. Ser irmão de Jesus é participar da vida de Jesus, da vida do Ressuscitado, Filho do Pai, que veio a este mundo para que nós possamos viver na escola de Jesus que prega amor, perdão e comunhão.

Nós, como discípulos-missionários de Jesus Cristo, fazemos parte da família de Jesus. Por isso somos chamados a termos uma união íntima com Jesus, sermos obedientes à sua Palavra de Salvação, que é sempre fazer a vontade do Pai, na fidelidade ao anúncio do Evangelho do Filho, contando sempre com a assistência do Espírito Santo. Se caminhamos na comunhão da Santíssima Trindade iremos colher os frutos do amor que Deus derrama na vida de todos os que são fiéis ao seu Reino, a sua Palavra, e à sua Mesa da Eucaristia.

Como responder a este chamado de Jesus? Com a fé cândida de viver e anunciar que Jesus redimiu os pecados da humanidade e os males do mundo, oferecendo a sua vida, por doação total, a todos os homens e mulheres, para que ressuscitado dos mortos pela vontade de Deus Pai, possa pela sua morte-ressurreição-ascensão ao Céu, dar o mesmo destino a todos os homens: a vida eterna na comunhão dos santos.

Por isso, a vocação cristã está fundamentada na dinâmica do Bom Samaritano(Cf. Lc 10,29-37), que nos ensina a sermos irmãos, sermos próximos, especialmente com quem mais sofre, seguindo a prática de Jesus que come com os publicanos e pecadores(Cf. Lc 5,29-32), que acolhe os pequenos e as crianças(Cf. Mc 10,13-16), que cura os leprosos(Cf. Mc 1,40-45), que perdoa e liberta a mulher pecadora(Cf. Lc 7,36-49; Jo. 8,1-11), que fala com a Samaritana(Cf. Jo. 4,1-26).

Assim, aderindo a pessoa e ao saber de Jesus Cristo somos convidados a dar o nosso “Sim” que compromete radicalmente a liberdade do discípulo e se entregar a Jesus, Caminho, Verdade e Vida(Cf. Jo 14,6). E dentre as formas de encontrar Jesus está a escuta da Palavra de Deus, o recebimento do seu perdão na freqüência ao Sacramento da Reconciliação, e na vida Eucarística, ser da Eucaristia, participar da Missa e dos demais sacramentos, com piedade e compromisso, que gera a entrega amorosa e solidária aos irmãos mais necessitados e na vida de muitas comunidades que reconhecem com alegria o Senhor Ressuscitado em seu meio, a animá-los nesta caminhada rumo ao Céu.

Se assim vivemos conseguiremos a SANTIDADE. E todo o zelador e toda a zeladora, bem como todo zelado e toda zelada, devem almejar o que o Coração de Jesus nos oferece: um coração aberto, dilatado para amar, para acolher o outro e para viver os mistérios que Deus nos oferece: “anunciar a Boa Nova aos pobres, curar os enfermos, consolar os tristes, libertar os cativos e anunciar a todos o ano da graça do Senhor”(Cf. Lc. 4,18-19).

Viva assim e serás feliz, amém!

 
 
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