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A compassividade
Por: DOM PAULO MENDES PEIXOTO
BISPO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP
www.bispado.org.br
 
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Ser compassivo lembra gratidão, valorização do outro, responsabilidade e prática da perfeição. O Evangelho já diz: “Sede perfeito como vosso Pai é perfeito” (Mt 5, 48). Perfeição no sentido da compassividade, do amor, do carinho e da acolhida.

Não é compassivo quem magoa e age com egoísmo e prepotência. Quem não age em benefício dos sofredores, dos doentes e abandonados, dos pobres e moradores de rua, dos jovens violentados etc. Pelo contrário, é compassivo quem luta em benefício da justiça e procura construir a paz.

A Palavra de Deus convida-nos para a santidade. Isto consiste no comportamento responsável e adulto em relação ao próximo, na superação do ódio e na busca do bem. É o amor gratuito e desinteressado, capaz de nos conduzir para a liberdade e para a vida com dignidade.

A fidelidade a Deus e às pessoas é a marca inconfundível da santidade. Marca da compaixão, da justiça e de abertura do coração para o projeto da vida no contexto comunitário. A comunidade é como um templo, lugar sagrado, destino do projeto de Jesus Cristo e de encontro com Deus.

Descartamos aqui o “olho por olho e dente por dente” (Mt 5, 38). No Novo Testamento acreditamos na força do amor e da ternura, revelando perfeitamente a misericórdia do Reino construído com outros critérios e princípios cristãos.

Nunca vamos conseguir vencer a violência usando as mesmas armas dela. Não se combate violência com violência. Isto provoca mais violência. Não foi este o caminho percorrido por Cristo. É preciso achar formas para desarmar a violência. Jesus fala em amar os inimigos.

Não basta amar os amigos se desprezamos os inimigos. Assim não construímos o bem e espalhamos a semente da incompassividade. O caminho é o amor e a oração por aqueles que não amamos, ou são inimigos.

Temos convivido com um mundo de violência, injustiça, corrupção e ódio. Só vencemos com os gestos da compassividade e perdão, não fazendo distinção entre as pessoas. Não revidar, mas “oferecer a outra face”, que é um desafio.



 
 
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