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Amor sem limites
Por: DOM PAULO MENDES PEIXOTO
BISPO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP
www.bispado.org.br
 
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O rosto misericordioso de Deus se manifesta nos gestos concretos de perdão. Este rosto é Jesus Cristo, que não veio para condenar, mas para dar a vida e vida com dignidade. Às vezes temos atitudes de condenação, de intolerância e de destruição de quem erra. O perdão de Deus acontece sempre, e até "setenta vezes sete".

As relações humanas são imprevisíveis. Há aquelas que até mexem com a identidade das pessoas, desviam seu perfil normal de vida, ocasionando consequências desastrosas. Acontece que sempre existe possibilidade de reintegração e retorno ao bem. Mas é importante o reconhecimento de ter caído no fundo do poço.

O orgulho, a vaidade e a auto-suficiência enclausuram as pessoas, não permitindo seu reerguimento. O caminho é a humildade, é enfrentar os próprios condicionamentos e abrir o coração para um mundo pessoal diferente. A isto chamamos de abertura para a graça de Deus e de conversão pessoal.

O perdão é fruto da escuta da Palavra de Deus. Isto provoca gestos de solidariedade. Desaparecem as atitudes de denúncia, de julgamento e de coração trancado. O amor fraterno está acima de qualquer ação de desamor e de maldade com os humanos. Ele é contra as práticas de injustiça emitidas contra o povo.

O mal sempre quebra os laços de aliança existentes entre as pessoas. Ele pode causar morte, porque conduz a realidades de injustiça, personalizadas na evidência da violência. Dizemos que só uma reparação poderá recuperar a harmonia do bem. É um processo de correção, que conduz à prática da justiça.

Na cultura economicista, do lucro a todo custo, o amor sem limites, isto é, os gestos de perdão, passam pela gratuidade, pelo desapego de interesses unicamente pessoais, com abertura para a fraternidade. Isto supõe sentimento profundo de fé, capaz de abrir os corações para o amor gratuito e para a partilha fraterna.

A sociedade é pecadora, que até perdeu o sentido da ética e da justiça. Fazemos parte dela e somos também pecadores, mas podemos provocar mudanças. Basta superar os egoísmos particulares.



 
 
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