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As bem-aventuranças
Por: DOM PAULO MENDES PEIXOTO
BISPO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP
www.bispado.org.br
 
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Podemos entender as bem-aventuranças em diversas dimensões da vida. A daqueles que experimentam sucesso nos relacionamentos comerciais, na capacidade de gerir bem os seus negócios, na aquisição de bens materiais, tornando-se farto economicamente.

São também bem-aventurados aqueles que gozam de uma saúde ideal, com aparência estética louvável pelos idos da nova cultura que evidencia mais o periférico do que aquilo que constitui a real essência da pessoa humana.

No entender do Evangelho de Jesus Cristo, bem-aventurados e felizes são todos os pobres, aqueles desprezados na sua dignidade, vivendo uma vida destituída de privilégios e regalias que obscurecem a aparência de sua verdadeira dignidade.

A dimensão de felicidade revelada por Jesus Cristo vai além das esferas humanas e terrestres. Ela não se satisfaz nos limites sensitivos da pessoa, mas tem uma dimensão que ultrapassa os critérios naturais, atingindo o sobrenatural, a vida eterna.

Feliz é quem busca as coisas que são do alto, sendo capaz de renunciar o que mata os grandes valores da vida de fé. Ele não se apóia apenas nas forças humanas, sabendo que elas são destruidoras de sua dignidade e segurança futuras.

A felicidade não tem plenitude na vida presente. Ela não passa com o tempo. Permanece, tendo sua realização total na eternidade. Aqui está o sentido da nossa fé, no reconhecimento de limites e incapacidades de uma total felicidade no mundo apenas terreno.

Podemos dizer que uma pessoa rica, sempre risonha, sem grandes problemas, querida por todos, amada, sem inimigos, sem opositores, seja feliz. A prosperidade é sinal da bênção de Deus, mas que supõe honestidade. Só que este não é o pensamento de Deus. Para Ele, feliz é o pobre.

O pobre é o que sofre na fome, na dor, maltratado, é perseguido, mas tem a esperança da felicidade ainda na terra. Quem tem tudo normalmente não é feliz, porque não tem a si mesmo, a sua própria identidade. Não tendo a si mesmo, não tem o autor da felicidade, Aquele que é capaz de preencher suas necessidades, que é Deus.



 
 
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