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O anúncio de uma grande alegria
Por: DOM ORANI JOÃO TEMPESTA, O. Cist.
ARCEBISPO METROPOLITANO DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO, RJ
 
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Narra o Evangelho do Domingo de Páscoa que ao local onde havia sido deposto Jesus no sepulcro, na tarde de sexta-feira, chegou Maria de Magdala e chegaram outras mulheres. Jesus tinha sido colocado num sepulcro novo, escavado na rocha, no qual ninguém fora sepultado ainda. Este sepulcro achava-se aos pés do Gólgota, precisamente onde Jesus crucificado expirara depois que o centurião lhe havia traspassado o lado com a lança para verificar, com certeza, a realidade da morte. Jesus fora envolvido em ligaduras pelas mãos caridosas e cheias de afeto das piedosas mulheres, as quais, juntamente com a Sua mãe e com João, o discípulo amado, haviam assistido ao seu extremo sacrifício.

Tendo, porém, caído a noite e iniciando-se o Sábado Pascal, as generosas e afeiçoadas discípulas viram-se obrigadas a adiar a unção do corpo santo e martirizado de Cristo para uma próxima ocasião, logo que isso fosse permitido pela lei religiosa da época. Elas dirigem-se, pois, ao sepulcro, no dia a seguir ao sábado, logo de manhãzinha, isto é, aos primeiros albores do dia; vão preocupadas com a ideia de como remover a grande pedra que tinha sido colocada à entrada do sepulcro, a qual, também havia sido selada. Mas, eis que chegadas ao local viram que a pedra tinha sido retirada do sepulcro.

A pedra colocada na tarde de Sexta-feira Santa por cima do sepulcro de Jesus tornou-se também ela, como todas as pedras tumulares, a testemunha da morte do Homem, do Filho de Deus. E o que testemunha esta pedra no dia a seguir ao sábado, às primeiras horas do despontar do novo dia? O que é que diz e o que é que anuncia essa pedra retirada do sepulcro?

No Evangelho as respostas começam a aparecer de modo tímido. Maria de Magdala, quando possuída de grande susto pela ausência de Jesus do sepulcro, corre a avisar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava (Jo. 20, 2), a sua linguagem humana encontra somente estas palavras para exprimir o sucedido: "Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram" (Jo. 20, 2).

Segue-se que também Simão Pedro e o discípulo amado, apressadamente, foram ao sepulcro. Pedro, tendo entrado aí, viu as ligaduras por terra e colocadas à parte, num outro lugar, e o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus (Jo 20,7). Depois entrou, também, São João e viu e acreditou: ambos, com efeito, "não tinham entendido ainda a Escritura, que Ele devia ressuscitar dos mortos" (Jo. 20, 9).

Jesus vencera a morte e a pedra do túmulo não conseguira ser o seu fim, porque Ele verdadeiramente Ressuscitou e Está no meio de nós! Os encontros com o Ressuscitado irão abrir ainda mais suas mentes e corações para tornar os apóstolos testemunhas da ressurreição.

Devemos constantemente renovar a nossa adesão a Cristo morto e ressuscitado por nós: a sua Páscoa é também a nossa Páscoa, porque em Cristo ressuscitado é-nos dada a certeza da nossa ressurreição. A notícia da sua ressurreição dos mortos não envelhece e Jesus está sempre vivo; e vivo é o seu Evangelho. "A fé dos cristãos, observa Santo Agostinho, é a ressurreição de Cristo". Os Atos dos Apóstolos explicam-no claramente: "Deus ofereceu a todos um motivo de crédito com o fato de O ter ressuscitado dentre os mortos" (17, 31). No decorrer da história muitos consagraram a sua vida a uma causa considerada justa e morreram! E permaneceram mortos. A morte do Senhor demonstra o amor imenso com que Ele nos amou até ao sacrifício por nós; mas a sua ressurreição é a certeza de que quanto Ele afirma é verdade que vale também para nós, para todos os tempos. Ressuscitando-o, o Pai glorificou-o. São Paulo assim escreve na Carta aos Romanos: "Se confessares com a tua boca o Senhor Jesus e creres no teu coração que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (10, 9).

Na Igreja Católica não pode faltar a fé na ressurreição, senão tudo desmorona. Ao contrário, a adesão do coração e da mente a Cristo morto e ressuscitado muda a vida e ilumina toda a existência das pessoas e dos povos. Não é, porventura, a certeza de que Cristo ressuscitou que dá coragem, audácia profética e perseverança aos mártires de todos os tempos? Não é o encontro com Jesus vivo que converte e fascina tantos homens e mulheres, que desde o início do cristianismo continuam a deixar tudo para segui-Lo e pôr a própria vida ao serviço do Evangelho? "Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação e vã a nossa fé" (1 Cor 15, 14). Mas ressuscitou!  E está vivo no meio de nós!

O anúncio que ouviremos dentro neste festivo tempo é precisamente este: Jesus ressuscitou, é o Vivente e nós podemos encontrá-Lo. Como O encontraram as mulheres que, na manhã do terceiro dia, o dia depois do sábado, tinham ido ao sepulcro; como O encontraram os discípulos, surpreendidos e perturbados com o que as mulheres tinham contado; como O encontraram muitas outras testemunhas nos dias depois da sua ressurreição. E também depois da sua Ascensão, Jesus continuou a permanecer presente entre os seus amigos como tinha prometido: "E Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo" (Mt 28, 20). O Senhor está conosco, com a sua Igreja, até ao fim dos tempos.

Iluminados pelo Espírito Santo, os membros da Igreja primitiva começaram a proclamar o anúncio pascal abertamente e sem receio. E este anúncio, transmitido de geração em geração, chegou até nós e ressoa todos os anos na Páscoa com poder sempre novo. É este anúncio que o Papa Francisco espera de todos nós, brasileiros e, particularmente, dos jovens, na JMJ Rio 2013, com o seu empenho missionário.

Feliz Páscoa, e vamos dar testemunho de que Cristo ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

 
 
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