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Um olhar de esperança
Por: DOM ORANI JOÃO TEMPESTA, O. Cist.
ARCEBISPO METROPOLITANO DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO, RJ
 
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O dia 19 de março, data do início do ministério petrino do novo bispo de Roma, o Papa Francisco, amanheceu claro, céu azul e ensolarado no final do inverno romano. A nossa Arquidiocese e a direção da JMJ Rio 2013 estavam lá para participar desse momento histórico.

Fomos a Roma também para partilhar com os grupos responsáveis da JMJ e da viagem do Santo Padre ao Brasil a nossa proposta de uma nova agenda para o novo Papa.  Desde a nossa chegada, o frio e a chuva nos acompanharam. Mas o dia dos pais na Itália, o dia de São José, que ficou sendo o dia especial para o Papa Francisco, amanheceu diferente.

No dia seguinte começava a Primavera no hemisfério norte. Isso já nos fazia vislumbrar a festa pascal, para a qual nos preparamos durante este importante tempo quaresmal.

Após o tempo invernal, quando as árvores perdem até as folhas e o gelo cobre os locais, tem-se o sinal de que tudo vai mudar. A Primavera estava anunciada! Essa experiência que nós não temos muito aqui no hemisfério sul, e muito menos nessa época que começa para nós o Outono, não deixa de ser inspiradora de uma reflexão sobre os atuais tempos.

Antes de ser a celebração de um acontecimento histórico, a saída dos judeus da escravidão do Egito rumo à terra prometida, passando pelo mar, deserto, aliança, sinais de Deus, a Páscoa era a celebração da vida que renasce depois da morte do Inverno.

Já se disse que só permanece aquilo que muda. E a natureza nos dá essa lição com as estações do ano, sejam elas mais delimitadas como no hemisfério norte, sejam diferenciadas diversamente como aqui em nossa região.

Assim também a Igreja. Ela faz a experiência pascal. Ela sempre renasce e recomeça! Isso nos recordava profeticamente o Papa emérito Bento XVI em sua lectio divina com os seminaristas antes de anunciar a sua renúncia. O Papa que renunciou nos mostra o sentido dos acontecimentos. Ele também experimentou em seu ministério petrino momentos de inverno e de primavera, como ele mesmo colocou em suas últimas e históricas audiências. Louvamos a Deus pela sua bela e importante missão!

Durante o pontificado do Papa Bento XVI, a Igreja passou por momentos de tempestades as mais diversas, que ele, com ânimo sempre renovado, conduziu a nau de Pedro por essas ondas bravias.  A novidade do primeiro papa latino americano comprometido com a vida com os pobres traz a cada dia novidades que têm causado admiração e reflexão para o mundo.

A Igreja tem experimentado e vivido tudo isso em diversos momentos de sua caminhada histórica! A ressurreição do Senhor é para nós o centro de nossa vida e de nossa fé. E é isso que temos experimentado na vida. Ressuscitar com Cristo é fazer páscoa com Ele: passar da morte para a vida, dando passos para que a cada ano nos aproximemos da páscoa definitiva.

Como o Espírito Santo sempre nos surpreende, e como foi anunciado pelo próprio Papa Bento XVI que era tempo para a Igreja iniciar um novo momento, as notícias que nos chegam mostram como o mundo se abriu à novidade do primeiro Papa latino americano.

Podemos ver nos sinais da natureza o que o Senhor espera de nós. Foi mesmo um tempo primaveril que se abriu diante de nós. Após tanta chuva e frio, tempo fechado e com dificuldades, o dia azul e claro, ensolarado e cheio de esperança se abre para nós. É a certeza da Primavera, é a certeza da nova experiência do êxodo rumo à terra prometida, é a certeza da ressurreição do Senhor depois de sua morte na cruz, é a certeza da vida para todos nós, mortos pelos pecados.

Sabemos, porém, que não temos um caminho retilíneo e sem problemas. Eles vêm e vão. Eles começam e se reiniciam. Mesmo após o céu claro, logo depois nuvens escuras cobrem o céu. As várias situações estão sempre ao nosso redor. Mas, para quem faz a experiência da ressurreição, mesmo quando passa pelo vale da morte, nenhum mal tememos, pois o Senhor está conosco, nos dá segurança e nos conduz. Isso nos faz também continuar nossa caminhada mesmo entre as noites escuras da vida. Tabor e Calvário sempre se encontram muito próximos de nossas experiências.

É a Páscoa que se aproxima na liturgia da Igreja. É a esperança de tempos novos na história. Eis que nossos olhos veem esse novo tempo! Eis que surge no horizonte a aurora anunciando o Sol que chega! E nós, como os discípulos de Jesus, que não apenas viram o túmulo vazio, mas o encontraram na Palavra e no partir o pão, sairemos pela manhã para anunciar à grande cidade: Sei que meu Senhor vive entre nós e está ressuscitado.

Caríssimos irmãos e irmãs: o Senhor é fiel! Ele nos deu a viver este belo momento da liturgia e da história. Saibamos vivê-lo intensamente. Deus seja louvado e bendito!

 
 
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