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Corpus Christi - o Amor que seoferece na Eucaristia
Jerônimo Lauricio - Bacharel em Filosofia.
E-mail: jeronimolauricio@gmail.com
 
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Na Festa de CorpusChristi somos levados a recordar as cenas da Instituição Eucarística. Toda recordaçãoé o gesto de quem traz ao coração aquilo que lhe é muito caro. Por essa razão éfascinante saber que ali no dom do Pão Eucarístico se esconde o tesouro e osmistérios da nossa Salvação. É a lembrança de que o pão significa tudo aquilode que temos fome. Temos fome de amor, de cuidado, de afeto, em uma palavra: deplenitude.

Essa relaçãodo pão com a fome nos ajuda a compreender o cumprimento da promessa em Jesusquando se distingue do maná que os israelitas comeram no deserto. “Em verdade, vos digo: Moisés não vos deu opão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro Pão, porque o Pão de Deusé o pão que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o Pão da Vida. Aquele quevem a mim não terá fome, pois o pão que Eu Vos dou é a minha carne para asalvação do mundo” (Jo 6, 32-33; 35; 51).

Em plenodeserto da humanidade, Cristo afirma que pode nos saciar. No deserto do vaziointerior, no deserto dos sentimentos, nos desertos mais secretos e escondidosda condição humana... São nestes desertos que Jesus se faz alimento, nos nutrie nos permiti caminhar. Faz-se alimento, porque refeição é devolução, érestituição daquilo que perdemos. Alimentamo-nos diariamente para devolver aocorpo aquilo que lhe foi subtraído e perdido. Cada refeição é lugar eoportunidade de se restituir. A refeição é tão redentora que alguns encontrosde Jesus se deram pela força do seu desejo de sentar-se à mesa com aqueles queprecisavam ter a Vida Plena devolvida. O prato principal não era material, massim a Vida!

Paraentendermos um pouco mais da beleza da refeição enquanto devolução, encontramosJesus que salva Zaqueu e toda sua família a partir do jantar (Lc 19, 1-10); emBetânia Ele entra na história de Simão, o Leproso (Mc 14, 3), e antes de partirfaz a sua Última Ceia, se sentando à mesa para fazer refeição com seusamigos.  Interessante é que nas duasprimeiras refeições, o Mestre lhes ensina que quando nos sentamos à mesa, nãonos alimentamos tão somente do que está posto sobre ela, mas, sobretudo de quemse serve dela. Alimentamo-nos do olhar, do amor, dos gestos, do afeto, e detudo o que o outro significa. O outro nos nutre, nos devolve, nos restitui...Por isso é edificante nos sentarmos à mesa e fazermos juntos a refeiçãocotidiana. “Comer e beber juntos significaestarmos comprometidos. O banquete não é lugar para saciar somente a fome docorpo, mas também a fome da alma. Ao estar com os que amo para me alimentar, dealguma forma eu os trago para dentro de mim.”

Com osdiscípulos o significado da refeição fica mais claro e ganha um sentido maisredentor, pois ali a Salvação acontece. Jesus se senta à mesa e torna-se arefeição na qual todos os convidados se alimentam. Em Jesus, os desertos dahistória daqueles discípulos dão lugar à vida nova. No Cristo, o VerdadeiroAmor se traduz, e faz o Pão se transformar em Seu Corpo e o Vinho em Seu Sangue. Ali o Amor foi mais revelador que aspalavras porque se estendeu até o Sacrifício do Calvário. Jesus identificou opão que repartia, com a carne que Ele daria para a vida do mundo e o cálice devinho com o seu Sangue Redentor. Somente o Amor é capaz de se fazer tão pequenopara tornar o homem grande. Quando nos alimentamos dele em cada Missa a nossasede de eternidade é saciada. Em cada Eucaristia celebrada a fome da terra é apaziguadapelo Céu. Felizes são os convidados para este Banquete!



 
 
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