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Deixar-se ser amado: um caminho para reconhecer o Ressuscitado!
Jerônimo Lauricio - Bacharel em Filosofia.
E-mail: jeronimolauricio@gmail.com
 
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Ainda estamos vivendo as alegrias do Tempo Pascal. Neste embalo queremos com nossa reflexão entender um pouco mais de uma aparição do Cristo Ressuscitado aos seus discípulos na Galiléia. Esta que não é só mais uma manifestação de sua Ressurreição, mas ao contrário é toda única e especial como todas as outras.

Estamos diante do Lago de Tiberíades no contexto do Capítulo 21 de João. A paisagem aí tem cores de saudades misturadas a um sabor de frustração. Os discípulos que pareciam não ter entendido ainda a Páscoa do Senhor, saíram tristes, “pescaram a noite inteira e nada apanharam”. Voltando do insucesso da pescaria, eles encontraram o Bom Mestre na praia e não o reconheceram. Isso aqui é interessante, pois ao que parece esta dificuldade em reconhecê-lo seria fruto de uma incompreensão interior. As frustrações das expectativas que são geradas em nós muitas vezes vendam nossos olhos. Mal conseguimos ver os fatos em sua totalidade. Reconhecer o outro parece ser quase que impossível.

Bem, a cena se segue... E entre o Mestre e os discípulos se estabelece um diálogo que se revela num pedido e em uma resposta. Neles, o diálogo se traduz como aquela fascinante capacidade de nos aproximar, de quebrar barreiras, romper impressões... Finalmente, após algum tempo “aquele discípulo que Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor! (Jo 21, 17). Aqui temos velado um lindo ensinamento: os olhos sempre reconhece o Amor com que ele é profundamente amado. E não por acaso, os olhos nesta cena são daquele mesmo discípulo, cujo compasso e movimento das pernas era veloz quando foi conferir a Ressurreição do Amor. É como bem nos recorda João: “(...) corriam juntos, todavia, o discípulo a quem Jesus amava correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao Sepulcro” (Jo 20, 2-4).

Meus irmãos, como precisamos crescer nesta graça de deixar nossa boca exclamar aquilo que nossos olhos contemplam quando está diante da face do Amor! Como precisamos gritar para o mundo aquilo que nossos olhos reconhecem em cada missa: “É o Senhor!” Crer no milagre da Ressurreição é reconhecer a face do Amor. Isso é magnifico! Contudo, para tanto é preciso deixar-se ser profundamente amado! Não existe outro caminho, senão o de reclinar como João, nossa cabeça no peito do Mestre e ali deixar-se ser amado por Ele a fim de depois reconhecê-lo!



 
 
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