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Missionários – Rosas que exalam o perfume de Deus.
Jerônimo Lauricio - Bacharel em Filosofia.
E-mail: jeronimolauricio@gmail.com
 
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A Fé Missionária é uma das belas coisas que floresce com beleza e propriedade no cultivo do Cristianismo, sobretudo no mês primaveril de outubro, mês das missões. E interessante é percebermos que neste cultivo o canteiro da Igreja só se torna mais encantador porque nele desponta todos os que são marcados por especial vocação quando se dispõem a caminhar ao encontro daqueles que ainda estão longe de Cristo.

Realmente se pauta neste sentido um caminho pavimentado pela espiritualidade do envio e do êxodo onde há um deixar, um ‘partir’, uma deslocação para se fazer cumprir o desejo de Cristo: “Ide, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que eu vos mandei” (Mt  28. 19-20). E o bonito de todo este movimento cheio de sabedoria, é que do ponto de vista da etimologia da palavra, o termo "missão" que vem do latim missione e mittere, isto é, enviar, mandar; reclama um carisma correspondente. É bem verdade que o carisma missionário é dado a toda a comunidade eclesial, mas condensa-se nesta ou naquela pessoa concreta que se sente chamada à missão e generosamente a acolhe.

Este exercício nos revela que o missionário é aquele que está disposto a sair, abrir veredas novas no deserto dos corações; ou mesmo aquele que se dispõe a ficar, convertendo-se em presença viva e atuante em cada dor humana e em cada porão de sofrimento. É aquele cuja voz e ação entusiasma e congrega ao seu redor multidões; ou mesmo aquele que faz-se o companheiro mudo de cada solidão,o refúgio e bálsamo para o abandono de quem costumeiramente parece estar sempre à margem.  De fato é uma riqueza insondável a alma missionária. Ela nos coloca diante do sonho de Deus para os homens como um acontecimento que merece ser sorvido com toda a intensidade do nosso coração. Nem sempre podemos compreender tudo isso, por mais simples que seja. Essas coisas nos fazem pensar na beleza e na responsabilidade que esse sonho nos traz. E torná-lo real é um desdobramento do nosso agir missionário.

Este agir dentro do clima da primavera recebe uma explosão de beleza, e aqui permitam-me valer de uma simples analogia entre as rosas e o repolho. Parece sem sentido, mas já me explico: penso que a vida do missionário se singulariza com o exercício vital de uma rosa que de um simples botão vai abrindo-se aos poucos para significar ao mundo o perfume que lhe é própria. E à medida que vai se manifestando neste processo de abertura e doação de si mesma, ela vai povoando o ambiente em sua volta com aquele perfume sem igual. E o interessante é que mesmo ao fenecer ela acaba deixando a sombra de sua presença. O repolho parece exercitar contrária experiência. Ao despontar-se já o faz todo aberto realizando o processo inverso e encerrando-se aos poucos em si mesmo, e se não for consumido dentre em pouco tempo, ao contrário das rosas, porque está fechado em si próprio, ele exala um odor pouco agradável.

Minha gente é bem verdade que parece simples, mas o exemplo traduz que o ser da rosa se confunde com o ser do missionário, à medida que este vive o exercício constante de abrir-se, ir ao encontro do outro, anunciando Jesus e exalando o perfume de Deus. O resultado deste processo é que embora os diversos espinhos da rosa que somos, nos queira subtrair a beleza da nossa vocação para a missão, Deus sempre nos surpreende acrescentando-nos o que nos falta. Surge nos detalhes e vai revelando aos poucos o que espera de nós enquanto discípulos missionários. Deixar-se enraizado em teu querer é o suficiente para que toda a realidade humana seja tocada e alcançada por seu perfume. Sejamos rosas missionárias!!!



 
 
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