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A fidelidade como ponte para a felicidade
Jerônimo Lauricio - Bacharel em Filosofia.
E-mail: jeronimolauricio@gmail.com
 
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O processo do Cristianismo em nossas vidas é caminho pavimentado pela busca e encontro da fidelidade com a felicidade. Gosto de pensar às vezes que os autores Sagrados, por inspiração Divina, na riqueza de seus ensinamentos traduzem o amplo significado desse encontro no seio da existência do homem. Creio que o movimento dessa dinâmica nos sugere a compreensão do sonho de Deus para a humanidade.

Essa compreensão se dilata quando o homem inteligentemente se permite por a caminho com o cajado da fidelidade, calçando as sandálias da felicidade. Aliás,  a atitude de ser inteligente (inteligere)– vocábulo latino- é traduzido como aquela capacidade de ler dentro, ler no interior do mundo. Neste sentido, diríamos que sob a ótica da fidelidade e da felicidade, o coração humano compreende sua vocação quando ler o interior do Cristianismo.

A fidelidade tem vários aspectos: para começar a confiabilidade. Posso confiar em alguém que é fiel. Eu sei, não vai me abandonar. Não vai esquecer-se de mim, mesmo depois de se interromper o contato. Sobretudo, não me deixará sozinho em minha necessidade. Para Tomás de Aquino, a fidelidade consiste em corresponder à confiança.

A fidelidade sugere que se cumpra o que foi prometido. O filósofo existencialista cristão, Gabriel Marcel, dizia também que “fidelidade é o reconhecimento de algo permanente... É a presença eternizada ativamente, a renovação do benefício da presença”. Essas duas reflexões traduzem inteligentemente que nosso seguimento a Jesus é o exercício constante da confiança e do reconhecimento de que Ele permanece conosco, é a crença de sua presença em nossa história, em nossa vida.

Neste itinerário as sandálias da felicidade vêm “calçar nossos pés”. Muito se tem a explorar do universo de compreensão dessa virtude. Jacques Lacan, filósofo e psicanalista, insiste que a felicidade não é simplesmente uma felicidade física, vibrante, de comunhão com outros seres humanos.

É também isso, porém não apenas! A felicidade seria o encontro de duas liberdades, de duas autonomias: “Eu posso ser feliz sem você, porém sou ainda mais feliz com você”. Cristianizando o pensamento de Lacan, o homem livremente pode até ser feliz sem Deus, todavia, é mais feliz com Ele.

Creio que abraçar a fé Cristã é isso. É ser fiel... É confiar para alcançar a felicidade. Essa dinâmica não se aplica tão somente em nossa relação com o Sagrado. É exercício também que permeia nossa relação com o outro.

Não como produto de um condicionamento, mas resultado daquilo que lhes são próprias na busca do que lhes falta. Que Deus nos possibilite, portanto, a graça de alcançarmos a cada dia por meio da fidelidade a Ele e ao próximo,a felicidade que brota sacramentalmente do seu coração.



 
 
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