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A Misericórdia Divina.
Jerônimo Lauricio - Bacharel em Filosofia.
E-mail: jeronimolauricio@gmail.com
 
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“Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).

No acontecimento Salvífico da sexta-feira Santa no Calvário, traduz-se profundamente o amor de Deus pela humanidade. Ali se dá a realização do sonho de Deus por cada um dos seus filhos. Dando-se por amor, Ele traz o céu à terra e nos resgata de nossas misérias. É em torno de nossas misérias que o amor de Deus age e se realiza.

Essencialmente, “miséria” é uma palavra originária do latim significando aflição. E tem raiz aproximada a uma outra palavra latina - Misericórdia (miséria + cordis). Que por sua vez, é o resultado da miséria +coração (cor, cordis). Pois bem, na misericórdia derramada na Cruz pelo Cristo, se revela o processo do Amor Divino. Amor que se abre e permite que mergulhemos em seu Coração nossas misérias. Somos, pois ali “curados nas suas chagas” e amados por um Deus Misericordioso.


O coração é considerado a raiz última do ser humano, o núcleo mais profundo da pessoa. O centro unificado de toda a sua vida e atividade. O coração revela o que existe lá dentro, o que somos e o que valemos. O Coração Misericordioso do Cristo é um abismo de virtudes. Só quem mergulha atinge o seu fundo. Viver a Misericórdia Divina é sentir a mesma experiência de Santa Maria Faustina.

Em 1931, Santa Faustina recebe a visão de Jesus envolto a uma túnica branca.Tinha a mão direita alçada no ato de abençoar e a esquerda pousava no peito, onde a túnica levemente aberta deixava sair dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. Nesta visão Jesus diz a Stª Faustina: “Os dois raios representam o sangue e a água. O raio pálido representa a água que justifica as almas, o vermelho o sangue, vida das almas. Ambos os raios saíram das entranhas de minha Misericórdia quando na cruz, o meu coração agonizante na morte foi aberto com a lança. Feliz aquele que viver à sua sombra” (Diário, 299)

A Imagem de Jesus Misericordioso nos leva a compreender os Sacramentos e todas as graças do Espírito Santo, cujo símbolo bíblico é a água e também a Nova Aliança de Deus com o homem feita no Sangue de Cristo. Desta forma é vontade de Jesus traduzida a Faustina  que se  propague a Devoção da Misericórdia Divina por meio da Imagem,  Festa e do Terço da Misericórdia. “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia.Quero que essa Imagem que pintarás com o pincel, seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deverá ser a Festa da Misericórdia” (Diário, 49).  A grandeza dessa Festa só pode ser traduzida pelas extraordinárias promessas que Nosso Senhor a Ela atribuiu: “... alcançará perdão total das faltas e dos castigos aquele que, nesse dia, se aproximar da Fonte da Vida” (Diário, 300). “Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha Misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam.” (Diário, 699)

Quando citamos que esta devoção nos atrái para os sacramentos, isso se evidencia quando Jesus diz que tais promessas se cumprirão se nos encontrarmos em estado de graça santificante após a confissão, dignamente recebendo a Sagrada comunhão. “Nenhuma alma terá justificação, enquanto não se dirigir, com confiança, à Minha Misericórdia. (...) Nesse dia os sacerdotes devem falar ás almas desta Minha grande e insondável misericórdia” (Diário, 570).

Muito se teria a dizer acerca da confiança à Misericórdia por meio da devoção. Temos por exemplo a Novena à Divina Misericórdia, como preparação para a Festa da Misericórdia Divina, onde o Senhor pediu a Irmã Faustina para fazer uma novena de orações desde a Sexta-Feira Santa até o sábado seguinte. O Terço à Divina Misericórdia que Nosso Senhor ensinou à Irmã Faustina uma oração pela misericórdia que ela devia rezar "incessantemente". E a Oração às 3 horas da tarde onde, Jesus deseja uma lembrança diária especial das três horas da tarde, a hora exata em que morreu por nós na cruz.

Gosto de pensar que esta Devoção é de fato uma rica e fecunda oportunidade do céu vir ao nosso encontro traduzindo desta forma que Deus jamais se cansa de nos amar, abençoando nossa existência, atenuando nossas dores e levando-nos a compreender que o amor e a compaixão ao próximo implicam também no desenvolvimento do processo de misericórdia por ele. Acho oportuno, portanto, nos valer agora do amante das Misericórdias, o Servo de Deus, João Paulo II, que na Carta Encíclica “Dives in Misericórdia” – Sobre a Misericórdia Divina – nos diz que “Jesus Cristo ensinou que o homem não só recebe e experimenta a Misericórdia de Deus, mas é também chamado a ter misericórdia para com os demais”. ‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.’O homem alcança o amor misericordioso de Deus, na medida em que ele próprio se transforma interiormente, segundo o espírito de tal amor para com o próximo”.



 
 
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