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A Vocação do Pastoreio: um imperativo em nossas relações.
Jerônimo Lauricio - Bacharel em Filosofia.
E-mail: jeronimolauricio@gmail.com
 
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Andei pensando estes dias no dinamismo e na riqueza que há no ofício do Pastor. Basta recorrermos aos versículos do capítulo 34 do Profeta Ezequiel pra notarmos que explosão de beleza o autor Sagrado ali nos deixa.

Diria que é um dos textos sagrados que somado à Teologia, Espiritualidade, e porque não um toque de poesia, nos faz compreender que vale a pena recomeçar apesar da “canseira do caminho”; que é preciso colher no terreno do coração os frutos plantados, pra realizar desta forma por meio do Cristianismo, o sonho de Deus que é o zelo, o amor e cuidado pelo outro, como o faz o Pastor em relação suas ovelhas.

Gosto de pensar que é no encontro com o outro e neste respectivo cuidado, que traduzimos nossa vocação de Pastores. E pra esta tradução não são convidados tão somente nossos seminaristas, padres, religiosos, bispos, todo e qualquer gêneros de tais especificidades vocacionais.

Ao contrário, desse banquete somos todos convidados a nos sentar à mesa, nutrir e partilhar; pois o processo contrário revela que não compreendemos ao menos uma linha do livro do Amor impresso em nosso corações, quando nos encontramos com o Cristo.


Permitam-me citar a título de compreensão e contribuição que mesmo alguns filósofos compreenderam isso. Emmanuel Lévinas, fílósofo da Alteridade, já dizia, por exemplo, que é preciso em nossas relações nutrir uma preocupação pelo “alter”, o outro. Pois só me torno o que sou à medida que vejo no “rosto do outro” parte de minha existência, dado do fato de sermos fragmentos da “totalidade e do infinito”, e nos completarmos quando nos encontramos. E nesta última ação, a do encontro, implica-se o cuidado. Heidegger, o “filósofo do cuidado” como alguns consideram, diz que  sem o cuidado deixamos de ser humanos.

E para conseguirmos compreender o ser humano, precisamos enxergá-lo a partir da ótica do cuidado. Desta forma, cada vez que faço disso uma razão pra nortear minhas relações, levanto-me mais devolvido e pronto pra alimentar aqueles princípios da natureza humana do quais nos fala nossos filósofos que são entendidos como a “alteridade e responsabilidade”. São reflexões da antropologia filosóficas é bem verdade. Mas que quando postas no cenário de nossa fé pode nos ajudar na compreensão de vocação do Pastor.

É Teologia se tornado vida. É Espiritualidade do “pastoreio” sendo atualizada e encerrando nossa vocação de Amor ao Sagrado no cuidado pelo outro. Deve ser por isso que Jesus pergunta a Pedro se ele o ama, e depois da terceira e convicta resposta apresenta, pois o imperativo de apascentar, zelar e cuidar das ovelhas. Eis aí a expressividade mais fiel do que queríamos esboçar em nossa presente reflexão.

Muito se teria a discorrer sobre isso. Todavia, prefiro deixar estas últimas palavras por conta de um pequeno fragmento do Documento de Aparecida que diz que “necessitamos sair ao encontro das pessoas, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de sentido, de verdade e de amor, de alegria e de esperança.

Só graças a esse encontro e seguimento, que se converte em familiaridade e comunhão, somos resgatado de nossa consciência isolada e saímos para comunicar a todos a vida verdadeira, a felicidade e a esperança que nos tem sido dada a experimentar e a nos alegrar.” (DA, 548 - 549).

Sejamos, pois a cada dia a exemplo do Cristo Bom Pastor, em nossas comunidades paroquiais, pastorais, seminários, família,  capazes de devolver vidas, curar corações feridos, conduzir fragmentos de existência para a Totalidade, capazes de ser Sacramento de Deus na vida de tantos quantos precisam como ovelhas repousar num lugar seguro, sentir-se abraçado e envolvido pelo Eterno.



 
 
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