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A dinâmica do "meio do caminho"
Jerônimo Lauricio - Bacharel em Filosofia.
E-mail: jeronimolauricio@gmail.com
 
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A beleza do caminho está no meio, já dizia um poeta qualquer do cenário literário brasileiro. Como é interessante notar em nosso cotidiano o espaço e o significado que o "meio termo" e o equilíbrio tomam em nossa vida. Diria que é uma verdadeira configuração do encontro das tardes de outuno que caem, com as manhãs da primavera que logo chegará... E assim  acontece com a dinâmica do seguimento a Jesus. Ela permeia por vias que apresentam o "meio do caminho" como sendo aquela oportunidade singular de se contemplar o Eterno e atuálizá-lo no presente.

Essas coisas me fazem pensar na beleza e na arte poética e teológica de se trilhar pelo meio do caminho. Esse intinerário nos coloca diante da vida como um acontecimento que merece ser vivido com toda a intensidade do coração. Ele tem muito a nos ensinar. É um livro que pode ser lido sem palavras.

Aristóteles, filósofo grego, já dizia na Antiguidade Clássica que o "meio termo" ajustado às necessidades da pessoa proporciona a felicidade. Não deve ser por acaso também, por exemplo,  que Jesus é crucificado no "meio" de dois malfeitores.

Temos aí a imagem que nos atrái pra uma compreensão de como os extremos por muitas vezes nos subtrái o desejo pelo Sumo Bem, pela verdade, como acontece com um daqueles que fora crucificado com Jesus. Diferentemente é o outro que embora tivesse optado pelos caminhos extremos, reconhece no "meio", o caminho seguro, sem perigos, o intinerário que leva ao alvo com segurança, Jesus Cristo. E em virtude deste reconhecimento lhe é dado  o céu como prêmio. Cristo não apenas lhe abre o caminho para Deus na cruz do Calvário, mas lhe atualiza o "Ego sum via, et veritas, et vita. Nemo venit ad patrem nisi per me." Ele é o próprio caminho, a verdade, e a vida; onde ninguém vai ao Pai senão por Ele"(João 14.6).

Belo é notar também a sensibilidade artística do pintor renascentista Leonardo Da Vince, que com um dom tão singular concebe na cena da Santa Ceia, o Cristo no "meio" dos apóstolos. Sacramento visível do coração do Pai, que se dá em alimento a fim  de nutrir todos aquele que d'Ele se aproxima e confia.

Caríssimos, deixar-nos ser conduzidos pelo "meio do caminho", diria que é lançar-se seguramente nos braços daquele que nos atraiu pra si, de um Deus que nos vocaciona  para o seu próprio coração... aí está portanto nossa vocação. E mais que isso: é tornar-se caminho sagrado para o outro, sempre sinalizando que o "meio do caminho" ainda é o elo que sustenta nossa travessia rumo ao céu.



 
 
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