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Os poderes do Ressuscitado
Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.
 
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O Apocalipse é o livro da esperança para as comunidades tentadas de desânimo diante das pressões, sofrimentos e mortes, consequências com as quais se tem que arcar ao assumir o projeto de Deus.

A segunda leitura do segundo domingo de Páscoa pertence à primeira parte do Apocalipse e pode trazer como título a experiência do Cristo ressuscitado.

O autor sente-se profundamente solidário com os cristãos aos quais se dirige. Identifica-se como irmão deles, isto é, participa da mesma fé. É companheiro na tribulação, no reino e na perseverança em Jesus. Tribulação é o sofrimento que o testemunho provoca. Reino é a pertença a Jesus. Perseverança é a capacidade de suportar ativamente os momentos dramáticos da vida, por causa do testemunho.

O testemunho do autor do Apocalipse leva-o ao exílio em Patmos. Ele passa a seguir a relatar a experiência que fez por meio de Cristo ressuscitado. Essa experiência se dá no dia do Senhor, exatamente no dia em que as comunidades se reúnem. Há aí um pedido velado para que as próprias comunidades que ouvem a leitura do livro façam a mesma experiência. Em outras palavras, as comunidades precisam tomar consciência do que celebram no dia do Senhor. O Apocalipse é um texto para ser lido comunitariamente, em clima de oração e discernimento.

João descreve toda a sua experiência e a sua reação foi cair ao chão como morto. Mas Jesus, investido do poder de Deus, o conforta. A expressão “Não tenha medo” sintetiza todas as etapas da história em que as pessoas se sentiram fracas e ameaçadas de morte: em todas essas etapas Deus esteve presente confortando e fortalecendo. Essa mensagem de confiança é dirigida a João e, por extensão, a todas as comunidades que vivem situações semelhantes. O motivo da confiança é expresso na autoapresentação de Jesus: Ele é o Senhor da história, aquele que, por sua ressurreição, possui a plenitude da vida. A morte não tem mais poder sobre Ele, podendo da morte tirar a vida.

Depois que João descreve a pessoa do Cristo, ele deve escrever aquilo que está acontecendo e aquilo que vai acontecer depois disto, para que as comunidades possam se sentir fortalecidas, animadas e capazes de resistir profeticamente, transformando a sociedade corrupta em Nova Jerusalém, esposa do Cordeiro.

Jesus anima e sustenta a comunidade. Não vivemos isolados. Não somos felizes isoladamente. Unidos na comunidade e vivendo a presença de Cristo conosco, poderemos alcançar a Jerusalém celeste.

 
 
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