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Paixão de Jesus
Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.
 
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Em Jesus, Deus mostrou que se importa conosco, é solidário, ama sem medidas e aceita participar do sofrimento, para que ninguém mais tenha necessidade ou se sinta sozinho, desamparado, pouco importante.

Está mais na moda falar do poder de Deus do que desse despojamento que fez Jesus tão parecido com as multidões que fogem das guerras, desamparados e torturados, sem eira nem beira.

No entanto, não dá para imaginar uma solidariedade maior, uma loucura apaixonada mais convincente. Mas talvez não seja a prova desmedida de amor que nos desconcerta. O mais estranho, possivelmente, será admitir que a entrega pessoal de Jesus, desse jeito tão humilhante, nos convida a ter um olhar diferente sobre todos os humilhados e torturados e vencidos da história.

A grandeza da missão salvadora de Jesus não deve nos fazer esquecer que tudo se realizou em situação bem concreta, datada e situada. Não foi um jogo de forças do céu que por acaso teve a terra como cenário. Havia forças e interesses que determinaram, de forma bastante humana, a condenação e a morte de Jesus.
Ele diz a Pilatos que seu Reno não é deste mundo, pois, neste mundo, um rei não estaria tão desamparado como Ele se apresentava. Os critérios do Reino de Jesus dão um sentido diferente ao que seja derrota ou vitória. Aparentemente vencido na cruz, Jesus era vencedor do único modo que importava: tinha sido fiel a sua missão até o fim e apesar de tudo. Nenhum poder humano pode vencer quem é capaz de fazer isso.

O Reino também não é deste mundo porque a justiça de Deus ultrapassa esta vida e não deixa que se percam aqueles que entregam a vida por amor.

Mas é bom não esquecer que foi por causa do que acontece neste mundo que Jesus viveu e morreu. O caminho de salvação que o amor de Deus abriu, reconciliando a humanidade pecadora, exige ações concretas neste mundo. O Reino se completa na vida eterna, mas a nossa participação se decide pelo que fazemos diante dos apelos concretos deste mundo.

Com a força do testemunho de sua vida e morte, Jesus nos aponta um caminho de serviço em vez de busca de poder. Nosso “tudo está consumado” não acontecerá quando nossas igrejas estiverem cheias, mas quando não houver mais crucificados na história humana.

 
 
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