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O perdão em meio ao ódio
Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.
 
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A Quaresma é caminho de conversão até a novidade do Reino. Na Quaresma ressoa aquele primeiro grito de Jesus: “Convertam-se porque o Reino de Deus está próximo!” Quando nos convertemos e abrimos os olhos para a novidade do Reino, descobrimos que verdadeiramente Jesus nos situa em uma nova realidade. Nada a ver com o que antes vivíamos, nem com aquilo que nos haviam ensinado. Jesus nos conduz por caminhos novos de amor e de misericórdia.

Essa novidade está claramente assinalada na primeira leitura do quinto domingo da Quaresma. Para aqueles judeus que conheciam bem o deserto, porque o tinham muito perto de casa, a comparação era facilmente compreensível. Por outro lado, com toda certeza poderia haver, entre seus ouvintes, alguns dizendo: “Isso é impossível! Ninguém pode fazer brotar rios em regiões desérticas. Ninguém pode fazer um deserto transformar-se em um jardim.” Mas isso é exatamente o que diz Isaias. Deus o fará com o único objetivo de aplacar a sede de seu povo. Deus faz com que o impossível seja possível.

No Evangelho nos encontramos com uma história que, infelizmente, se repete, ainda hoje, em muitas culturas. Apresentam a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, sempre a culpa é atribuída à mulher. A Lei ou a tradição dizia que deveria ser apedrejada até a morte. Esse era o castigo por seu pecado. É certo que os escribas e fariseus não chegavam a um acordo sobre a leitura do profeta Isaias, mas Jesus sim: “Não vos lembreis de mais dos acontecimentos de outrora, eu vim para fazer algo novo”.

Jesus é quem realiza a novidade. Antes de tudo, faz com que os acusadores percebam que ninguém está livre de pecados. Suas palavras passaram a fazer parte da sabedoria popular: “Aquele que não tiver um pecado, que atire a primeira pedra”. É uma pena que a apliquemos tão poucas vezes em nossa vida!

Depois, uma vez que os acusadores tinham desaparecido, Jesus pronuncia a palavra de Deus sobre a mulher. Mas não é o que os acusadores esperavam ouvir. Quando eles queriam apedrejá-la, diziam agir em nome de Deus e esperavam escutar de Jesus uma palavra de condenação e não de perdão, acolhimento e carinho.

Seria bom se chegássemos à compreensão de que essa é exatamente a novidade que nos trouxe Jesus: Deus não nos condena, mas nos salva, ergue e convida a prosseguirmos caminhando. Ele sabe que o pecado faz mais mal a nós mesmos que aos outros, por isso não deseja que pequemos. Confia que seremos capazes de seguir em frente. Não é essa a água da vida que brota em meio ao deserto de nossos corações?

 
 
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