Colunas
 
A Via-sacra
Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.
 
Leia os outros artigos
 
Para enviar esse texto automaticamente no FACEBOOK, clique no botão abaixo:
Você tem muitos amigos e envia e-mails para todos? Então você pode enviar esse artigo para todos seus amigos de uma única vez, basta copiar a url abaixo e colar em seu e-mail.
Para enviar manualmente, copie CTRL C o código acima e cole CTRL V no mural ou mensagens de e-mails dos seus amigos:
Leia os outros artigos
 

Normalmente, queremos fugir de sofrimentos, de problemas, de responsabilidades. Nossa vida é permeada de fugas para não realizar o projeto de Pai.

A Via-sacra é o caminho em que termina a nossa fuga. É o caminho em que Deus acaba por nos alcançar. É um paradoxo porque percebemos que Deus vence com a fraqueza. Deus é forte, irresistível, principalmente quando é entregue ao poder dos homens.

A Via-sacra é uma das práticas mais em desuso na vida religiosa de hoje, Segundo o pensamento geral, é um "exercício de piedade" e que só as pessoas devotas, santas, podem rezá-la.

Engano! A Via-sacra é, sobretudo, para os pecadores. É dos pecadores. Cristo veio procurar e salvar "o que estava perdido". E podemos encontrá-lo na medida em que nos sentimos perdidos, na medida em que nos reconhecemos pecadores.

A Via-sacra não se faz só na igreja, passando mais ou menos distraidamente, mais ou menos mecanicamente, de uma estação para outra, segundo o itinerário preestabelecido pelos quadros dependurados na parede. Ela atravessa o caminho de nossa vida, os itinerários do nosso dia. As várias estações podem estar situadas mesmo fora da igreja. Um hospital, a página do jornal dedicada aos acidentes, aos crimes; a fábrica, uma carta, um encontro, um "caso do dia", uma ofensa recebida, os ataques de um maluco, uma blasfêmia, o gemido de um moribundo, uma notícia chegada dos continentes da fome, a angústia de uma mãe, as informações sobre políticos corruptos, que não respeitam nem ao menos seus eleitores. Eis as várias estações da Via-sacra cá fora.

E, para ficar completa, podemos juntar as nossas fugas diárias, as nossas covardias, a nossa fragilidade, a nossa hipocrisia, o nosso egoismo os nossos pecados as nossas aflições e também a nossa compaixão, as nossas obras de misericórdia, a nossa capacidade de parar diante do sofrimento alheio, de dar uma mão.

Meditando sobre tudo isso, saberemos construir a Via-sacra sobre a realidade de nossa vida, de nossa existência diária,

Cada um de nós tem a possibilidade de reconstituir, com extrema precisão, o percurso da Via-sacra, ao longo dos caminhos que palmilhamos cada dia: os caminhos do trabalho, dos encontros, dos desencontros, dos sofrimentos diários.

A Via-sacra de Jesus é uma lição para vivermos mais fielmente a via-sacra de cada um de nós.

 
 
xm732