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Quem é Jesus?
Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.
 
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Jesus é o Messias, aquele que se pôs a serviço do Pai para comunicar a vida. Seu projeto é realizar o desejo do Pai, que é fazer-nos conquistar a salvação. Os que assumem com Ele esse projeto recebem o poder de ligar-desligar, isto é, de provocar um julgamento em torno do que favorece ou impede a vida. Esse poder delegado, em aberto conflito com as forças da morte, se traduz em serviço para o bem comum.
Simão Pedro atreve-se a colocar um nome em Jesus, a dizer-lhe quem Ele é, a defini-lo: “Tu és o Messias, o filho de Deus vivo!”

Mas, o que significam essas palavras? O que é que elas significaram para Pedro? Podemos supor que Messias recordava a Pedro as velhas histórias de libertação de seu povo. Para um povo como o judeu, que vivia, naquela época, sob a dominação romana, libertação não poderia ter outro sentido que o de libertação política. Finalmente, Deus se manifestava claramente a favor de seu povo. Isto não significa que Pedro sentisse ódio pelos romanos, mas não seria uma legítima aspiração a busca da liberdade tanto das pessoas como dos povos?

Ao dizer que Jesus era o Messias, Pedro estava expressando a sua fé em um Deus libertador, um Deus que apoiava a liberdade do seu povo para tomar as suas próprias decisões e ser, assim, dono de seu destino.

Pedro, no entanto, disse também que Jesus era “o filho de Deus vivo” Ele não tinha clareza sobre o significado de Filho de Deus. Provavelmente, o que Pedro procurou sublinhar foi a especial relação que percebia entre Jesus e Deus, aquele a quem Jesus chamava de seu Abá, seu Papai. Tratava-se de uma relação especial de amor, de carinho e de mútua entrega. Mas, além disso, Pedro diz que Jesus é o Filho de Deus vivo. Esta é outra informação importante para ser assinalada. A vida é o que nós, humanos, temos de melhor. É, possivelmente a única coisa que temos. Quando pensamos em Deus, pensamos na vida, mas não na nossa, sempre cercada pela morte, mas na vida plena, para sempre verdadeira. Jesus é o Filho de Deus vivo porque, desta maneira, Pedro o via. Era capaz de comunicar a vida aos que estavam ao seu redor, aos que encontrava, a seus amigos.

No final, Pedro confessou que Jesus preenchia totalmente suas expectativas de libertação e de vida, que em Jesus encontrava uma oportunidade de sair desse círculo fatal de escravidão e morte em que nós nos vemos envoltos.

Perguntemos a nós mesmos: Será que já refletimos sobre isto? Cabe a cada um de nós refletir e colocar Jesus no seu devido lugar em nossa vida.

 
 
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