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O custo do reino: opção de fé, opção radical
Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.
 
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Há pessoas que se declaram cristãs por hábito ou conveniência, sem assumir as exigências do ser cristão. Com um verniz de religiosidade, tornam-se participantes ou patrocinadoras de uma sociedade desigual e injusta.

Essa realidade pode ser transformada, desde que as pessoas adquiram a Sabedoria que vem de Deus e ajudem a iluminar os rumos da sociedade. Ser cristão implica o estabelecimento de prioridades, amadurecendo-as e executando-as coerentemente. Numa sociedade marcada por diferenças sociais, onde uns dominam e outros são dominados, o Evangelho surge como a força libertadora, onde todos colaboram e servem ao bem de todos.

A novidade do Evangelho é um mistério que se compreende pela cruz e na cruz. O seguimento de Cristo realiza em nós dois mistérios: alegria e cruz. Uma realidade não está separada da outra. Isso decorre da afirmação de Jesus: “quem não carrega a sua cruz e me segue não pode ser meu discípulo”. Não existe desafio maior e maior alegria do que essa.

Não se é cristão natural ou hereditariamente, mas em conseqüência de uma decisão interior e pessoal. Por isso, é preciso por em prática os riscos decisivos de viver o Evangelho. O homem é naturalmente sociável. E, para responder a essa necessidade, estrutura comunidades, cria instituições e diversas modalidades de organizações.

Acontece, porém, que nem sempre essas bases são justas. O homem importa-se com posições, lucros, vantagens: Deus, no entanto, considera os objetivos, as intenções. Com sua palavra e seu exemplo, Cristo vai estabelecendo os princípios de uma nova convivência pacífica, igualitária, baseada no amor e no perdão.

A vida cristã exige um constante recomeçar, uma elaboração sempre renovada dos conceitos que facilmente adotamos para nossos relacionamentos e que nem sempre se inspiram no compromisso de vida em Cristo.

Como Jesus mesmo disse: “ninguém pode servir a dois senhores”, daí a radicalidade – “ quem não é comigo é contra mim”.

A Palavra do Evangelho não significa, ao pé da letra, que devemos odiar pai, mãe, irmãos. Significa que amamos pai, mãe, irmãos porque amamos a Deus, que nos criou, nos deu tudo que temos inclusive a família.

Não fosse assim, Ele não nos exortaria a “amar o próximo como a nós mesmos” e, principalmente, “amar a Deus sobre todas as coisas”.



 
 
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