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Testemunho sobre Mons. Omar Nunes Coelho
Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.
 
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Nesta tarde de 28 de janeiro de 2009 retorno a querida Diocese de Luz para prestar a minha última e reconhecida homenagem a figura singular do querido MONSENHOR OMAR NUNES COELHO, falecido piamente depois de mais de setenta anos de abençoado ministério sacerdotal e quase noventa e quatro anos de idade.

Por delicadeza do querido irmão Dom Antônio Carlos Félix, ao dirigir estas palavras de reconhecimento pela vida e pelo ministério do saudoso Monsenhor Omar, poderia dizer que a faixa colocada no altar-mor da Catedral de Nossa Senhora da Luz, sintetiza a vida do Monsenhor Omar: humildade e simplicidade.

Sobrinho do primeiro bispo de Luz, DOM MANUEL NUNES COELHO, o próprio Monsenhor Omar reconhecia que lhe faltando o conhecimento mais profundo das ciências teológicas, foi ordenado sacerdote para servir e amar ao Povo de Deus. Foi exatamente isso que nosso querido Monsenhor Omar fez em toda a sua vida: levando uma vida austera, simples, tranqüila, demonstrando a todos que a simplicidade que vem do seguimento de Jesus Cristo nos leva a viver a vida com alegria de servir a todos, sem distinção, acolhendo o diferente e edificando o Reino de Deus neste mundo tão contraditório. Por isso, todos nós sabemos e podemos dar testemunho da vida austera, simples, pobre mesmo que Monsenhor Omar viveu. Confiou na misericórdia de Deus e o Senhor não permitiu que nada faltasse a sua generosidade de servir.

Monsenhor Omar, no tempo em que foi meu Vigário Geral, e como eu apreciava o seu modo de ser espontâneo, direto, transparente, tranqüilo, disse-me que “Dom Eurico, nas pregações eu sei subir. Mas depois não sei aterizar. Eu falo, falo, e o povo se cansa, porque não sei como terminar a homilia. Será que o senhor permite que uma professora dê uma reflexão na missa. Se permitir escutar eu escuto bem. Se ela falar alguma coisa que não estiver certa eu corrijo”. Foi quando eu disse, “sim Monsenhor Omar, não só pode pedir uma pessoa que faça a reflexão como deve”.

Muitos outros episódios são marcantes na vida do Monsenhor Omar. Quando precisamente em 28 de janeiro de 2002, passei em sua casa para me despedir dele, sendo que em 28 de novembro de 2001 havia sido transferido daqui de Luz para Arcebispo de Juiz de Fora, Monsenhor Omar me disse na última visita que fiz em Luz e que foi precisamente a ele, meu íntimo colaborador: “Dom Eurico, eu irei rezar diariamente para que o senhor seja feliz e protegido em Juiz de Fora. E vou rezar até o último dia de seu governo arquiepiscopal”. Hoje, no mesmo dia 28 de janeiro, passados sete anos, quando eu estava comunicando que o Papa Bento XVI aceirara a minha renúncia ao governo pastoral da Arquidiocese de Juiz de Fora, na mesma hora, chega a notícia de que Monsenhor Omar entra na glória de Deus. São as delicadezas de Deus, que não são reveladas aos sábios, aos doutores, aos mestres ou doutores da teologia ou do direito, mas são reveladas a homens que viveram, na simplicidade, a radical idade da SANTIDADE e do SEGUIMENTO DE JESUS CRISTO. Monsenhor Omar me acompanhou nestes sete anos com as suas orações e com a sua proteção espiritual, porque era um homem profundo na santidade e na retidão. Eu mesmo me confessava com ele e ficava encantado como ele era preciso na ajuda aos problemas espirituais que todos nós enfrentamos. Disso sou testemunha. Disso dou graças a Deus.

Na sua simplicidade, na sua jovialidade, na sua tranqüilidade e na sua confiança primeira e absoluta em Deus, o momento de hoje é de MUITO OBRIGADO. Muito obrigado Senhor Jesus pelo seu ministro sagrado, pelo seu testemunha entre os homens, pelo seu levita que nos santificou pela humildade, pela sua simplicidade e pela sua fidelidade.

Monsenhor Omar foi uma luz que iluminou seu tio Dom Manuel, que iluminou Dom Belchior, que iluminou a mim e que iluminou a Dom Felix. Que do céu, gozando agora da visão beatífica, Monsenhor Omar seja sempre a luz a iluminar, em nome de Cristo, as consciências do clero e do povo de Luz que no seu exemplo, de servo bom e fiel, em tudo deve fazer para que a Glória de Deus e a dilatação do seu Reino aconteça entre nós, como foi Monsenhor Omar, na alegria de ser discípulo-missionário de Jesus Cristo. Até breve, querido Monsenhor Omar. Sinto sua ausência física, mas me alegro de ter o seu aconchego do céu a me proteger e a proteger a querida, amada e sempre presente Diocese de Luz.



 
 
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