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Introdução às Confissões de Santo Agostinho Capítulo 1
Por: Adriano José Gonçalves
Paróquia Santuário de São Judas Tadeu
Sete Lagoas - Minas Gerais
E-mail: sharingamn@gmail.com
 
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Viajemos em pensamento. Voltemos ao passado. Nosso destino é o Norte da África, no século IV. Ano de 397 (talvez 398). Ali encontramos uma pequena comunidade. Uma igreja dos primeiros séculos do cristianismo. Adentramos a igreja, porque há alguém nos fundos dela. Há um senhor, nos seus quarenta e poucos anos. As roupas evidenciam ser um religioso.

Mais precisamente um bispo (ou, na época, bispo assistente). Vemo-lo preparado para escrever algo. Ele transborda alegria e entusiasmo. Parece ter o coração inteiro nas mãos, e pretende descrever cada chaga e pulsação que pode sentir. Um coração apaixonado, que estava faminto de DEUS, e agora o encontrou. Um homem que encontrou a si mesmo, e sua realização começou a acontecer, na medida em que busca o Amor (e um Amor sem medidas).

A necessidade pessoal o impele a invocar a DEUS. A deixá-lo entrar em seu coração. A celebrar a grandeza deste mesmo DEUS, enquanto confessa sua fraqueza e pequenez. Ali começam a serem escritas algumas das mais belas páginas da literatura cristã. São as confissões de Aurelius Augustinus, a quem nós chamamos de Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho...

Santo Agostinho tem uma importância singular dentro da história. Importância esta que ultrapassa as barreiras do catolicismo, ou mesmo do cristianismo, ou da religião de modo geral. Sua influência foi enorme, e sente-se isto ainda nos dias de hoje. Apesar de sua figura ficar, às vezes, limitada a exemplo de “pecador convertido”, ele representa bem mais do que isto. Sua vasta obra literária exemplifica esta questão.

E as Confissões têm um lugar especial em todo ela. É o livro que mais diretamente conversa com o leitor. Não nasceu de pedido algum, nem tinha como objetivo provar nada. Não está cheio de teses ou teorias teológicas. É Santo Agostinho consigo mesmo, diante de DEUS, a falar acerca das coisas que marcaram a sua caminhada pessoal.

É um livro escrito para DEUS, mas escrito também para todo e qualquer “filho de DEUS”. Como ele mesmo diz em certo ponto do livro: “Confesso-te agora tudo isso, Senhor. Leia-o quem quiser, interprete-o como lhe aprouver”.  Santo Agostinho visa apenas uma coisa: a Verdade! E a Verdade é o DEUS VERDADEIRO, que sonda os corações e a tudo conhece.

E diante deste DEUS só há uma atitude que pode ser tomada: abrir o coração e lhe permitir entrada, e não tentar resistir a ELE. A garantia das palavras de Santo Agostinho neste livro é este DEUS que conhece tudo o que ele escreverá. A Verdade merece palavras verdadeiras. Desde o início, quem ouvirá as Confissões é o próprio DEUS...

 



 
 
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