Formação de Catequista
 
A parábola como “laboratório” - Capítulo 04
 
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A parábola constitui, sem dúvida, uma das páginas da Escritura que consegue envolver os catequistas e os destinatários de seu anúncio, tornando-se fonte de muitas pistas e iniciativas catequéticas. Tudo isso só é possível se antes se realizou a pesquisa e o aprofundamento, de que se falou. Caso contrário, cairíamos no antigo risco de “servirmo-nos” da palavra, em vez d “servir” à palavra, enquanto Palavra de Deus.

Eis alguns exemplos de como a parábola pode realmente tornar-se um “laboratório” para a catequese às crianças, aos adolescente, aos jovens e aos adultos.

O catequista depois de proclamar e comentar a parábola, pode pedir aos ouvintes que representem em desenho os personagens ou aqueles aspectos que mais os impressionaram. Deste modo, o significado global da parábola aparece exatamente da seqüência dos desenhos de todos.

Com as crianças, convém ler a parábola, depois projetar o filme ou slides e depois proclamar de novo o texto bíblico, que será então recebido com maior profundidade.

A dramatização é também importante forma de comunicação que exige reflexão, expressão corporal e criatividade. Se for possível, os personagens recitem em voz alta o texto sagrado, ou então façam os gestos, enquanto um leitor proclama a parábola. Seria ainda melhor se, como apêndice à parábola, se pudessem dramatizar outras cenas que tornam atual o ensinamento do Senhor. Isto permite realçar que a parábola, mais que ser recordada, é vivida hoje.

Para a leitura da parábola, requer-se no grupo um clima de concentração e de silêncio, exatamente em sinal de respeito à Palavra de Deus e de acolhida de sua proposta. Quem então proclama o texto sagrado, deve fazê-lo com seriedade e de solenidade, de pé.

Algumas vezes a parábola pode ser lida por mais pessoas, cada uma representando a parte de um personagem ou do cronista.
Mesmo quando os textos de catequese (para cada faixa etária) citam uma parábola ou a apresentam só em parte, é preferível ler seu texto integral diretamente do Evangelho.

Entre os cantos a serem aprendidos, convém dar preferência àqueles que são o próprio texto da parábola musicado. O grupo todo das crianças ou pré-adolescentes pode unir-se no canto das parábolas ou escutar a gravação em religioso silêncio. Isto se pode fazer também durante a celebração eucarística (especialmente quando o Evangelho proclama a mesma parábola), no silêncio depois da homilia.

Na catequese é sempre muito educativo recordar outras parábolas semelhantes à que foi proclamada e recordar outras expressões evangélicas, que se adaptam bem ao seu conteúdo, como também identificar as palavras-chave do texto sagrado para concentrar nelas a atenção e a pesquisa.

É também frutuoso o esforço de reformular as parábolas utilizando episódios e linguagem correntes. Tal transcrição deve, de uma parte, salvaguardar a integridade original do texto bíblico e, de outra, encaminhar uma mediação, através de situações e terminologia novas.

Com os adolescentes e os jovens, pode-se preparar uma série de entrevistas relativas a uma parábola, avaliando depois as respostas para ver se estão em sintonia com o texto evangélico.

A análise das parábolas permite também delinear uma “identificação” de Deus, de Cristo, do Reino e dos discípulos. Estas características podem ser escritas num cartaz, tornando-se uma pequena profissão de fé, a ser recitada em coro, ou um esquema para o exame de consciência.

A parábola é também um ótimo ponto de partida para a revisão de vida de um grupo (além de servir, para cada um em particular), para a comunicação e para o confronto da própria experiência interior, solicitada e justificada pelo texto sagrado. Exerce função libertadora e enriquecedora deixar cada um expor em que personagem ou situação da parábola ele mais se reconhece. É também animador fazer seguir a uma parábola o relativo comentário, escrito por um Padre da Igreja ou por um Santo ou por uma Testemunha viva.

É certamente útil, alguma vez, centralizar o sacramento da reconciliação ou um dia inteiro de oração numa única parábola, apresentado-a em seus aspectos e em suas incidências. Da mediação da parábola, é fácil passar depois à súplica, ao agradecimento e ao louvor. Na escolha da parábola, convém ter sempre presente o tempo litúrgico em curso e a caminhada de fé de cada grupo.

Para lembrar que Cristo foi aquele que viveu a parábola por primeiro e melhor que todos, pode-se colocar uma sua imagem, tendo diante uma vela acesa, antes de começar a proclamação do trecho do Evangelho. O mesmo se diga para Maria e os Santos.

As parábolas permitem caracterizar algumas celebrações litúrgicas, guiadas pelo catequista ou pelo Padre. Por exemplo, depois de ter lido a parábola do semeador, pode-se simbolicamente entregar aos presentes uma espiga que lembra o mistério e a responsabilidade do amadurecimento, ou se evidencia com solenidade o livro da Palavra, porque “a semente é a Palavra”.

A parábola do bom samaritano (Lc 10, 30-37) é uma ótima introdução à entrega do mandamento novo (Jo 13, 34), porque o amor é a característica dos cristãos. Lendo as parábolas do vigilante e das virgens (Mc 13, 35-36); Lc 12, 35-38), pode-se entregar, aos presentes, uma vela acesa, símbolo da atenta vigília de oração do cristão no mundo, na expectativa da volta do Senhor.

A parábola da grande ceia (Lc 14, 16-24), ajuda a descobrir os sinais típicos do banquete eucarístico e a veste batismal (Mt 22, 11-14), como condição para nele participar.

A parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14), ilumina profundamente os gestos de inclinar-se e do bater no peito diante de Deus, como também ajuda a valorizar o momento penitencial dentro da missa.

A narrativa das parábolas evangélicas é enfim muito adaptada como base de comunicação para a catequese diferencial, em vantagem, por exemplo, dos deficientes mentais e dos retardados. Para estes, com efeito, a narrativa bíblica, cantada e visualizada, é muito eficaz e substitui a teoria abstrata.

Colaboração: Maria Helena L. de Carvalho - Novo Hamburgo
Fonte: Luiz Guglielmoni – Revista Catechesi, Itália (1983/15, pp.11-19)
Orientações gerais e indicações práticas para uso das parábolas na catequese.
R. M. O. traduziu



 
 
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